Greve de peritos do INSS faz trabalhadores voltarem ao emprego mesmo doentes

  • Por Jovem Pan
  • 06/01/2016 11h40
PORTO ALEGRE,RS,07.07.2015:GREVE-INSS - Servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) decidem entrar em greve nesta terça-feira (7), em Porto Alegre (RS). Os servidores pedem um reajuste salarial de 27,5 % imediato, com aumento gradual durante os próximos quatro anos. Além do reajuste, os funcionários pedem melhorias nas condições de trabalho e no atendimento à população. (Foto: José Carlos Daves/Futura Press/Folhapress)Servidores do INSS entram em greve em Porto Alegre

 Greve dos peritos do INSS atinge 1,7 milhão de brasileiros que precisam aguardar quatro meses por atendimento ou recorrer à Justiça. São 20 mil pessoas prejudicadas por dia no país à espera do auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e benefício da pessoa com deficiência. A categoria formada por cinco mil médicos deflagrou paralisação em setembro e reivindica redução na carga horária e fim da terceirização.

Falando à repórter Renata Perobelli, o presidente da Associação dos Peritos do INSS, Francisco Cardoso, relata o fim das conversas com o governo: “O governo quer terceirizar a carreira e exterminar a carreira de peritos, coisa que eles tentaram no início de 2015 através de uma medida provisória, mas um trabalho nosso no legislativo bloqueou a emenda que transferiria a perícia médica para médicos ligados a sindicatos”.

Na prática, o impasse nas negociações gera um prejuízo enorme aos segurados que estão doentes e sem receber. O jovem Thiago Nunes, de Jundiaí, fez uma cirurgia no mês passado e só conseguiu marcar a perícia para abril e ainda longe de casa: “Enquanto eu não passar por perícia eu não recebo salário e as contas estão todas paradas aqui. O governo não está me dando suporte. Na empresa em que eu trabalho tem dois funcionários que também tiveram que retornar ao trabalho sem estarem aptos a exercer a função. Eles estavam afastados, mas como não tem perícia eles voltaram a trabalhar, senão não recebem”.

A especialista na área do Direito Previdenciário lamenta a situação caótica que 20 mil brasileiros enfrentam diariamente desde setembro. Para a desembargadora federal, Marisa dos Santos, a saída é a lei que prevê convênios da Previdência com órgãos que integrem o SUS: “É um serviço público essencial que não deveria estar nessa situação. Me parece que alguma chefia está esquecendo que existe sim essa possibilidade permitida pela lei, de se terceirizar o serviço quando o INSS não está em condição de prestar bem esse serviço”.

Quem depende de perícia do INSS, tem como opção requerer o benefício no Juizado Especial Federal, na Avenida Paulista, 1.345. Procurado, o INSS disse em nota que a categoria encerrou as negociações a partir do desconto dos dias parados em folha.