Greves podem ter significado mais do que uma pressão em votações do Congresso

  • Por Jovem Pan
  • 01/05/2017 06h29
RS - GREVE GERAL/SP - CIDADES - Manifestantes protestaram na região central de Porto Alegre (RS), nesta sexta-feira, 28, dia de greve geral contra as reformas trabalhista e da Previdência propostas pelo governo federal. 28/04/2017 - Foto: LUIZ MUNHOZ/RECORTE DO OLHAR/ESTADÃO CONTEÚDOgreve geral - ae

A greve de sexta-feira (28) foi embalada pelo avanço das reformas trabalhistas e da Previdência no Congresso, mas podem significar mais do que uma pressão no Congresso.

No núcleo da paralisação há a união de centrais sindicais diversas, como CUT e Força Sindical, associadas a grupos políticos opostos e que, raramente, trabalham juntas.

Tem o posicionamento crítico de representantes das igrejas católica e evangélica às reformas e a movimentação de legendas da base aliada, e até do próprio PMDB, que demonstram insatisfação com as propostas da equipe econômica.

Há, ainda, uma possibilidade de elevar o nível do debate sobre as reformas, avaliou o cientista político Murillo de Aragão. O presidente da Arko Advice ressaltou, no entanto, que o assunto não é novo, já que tenta ser pautado desde o Governo FHC. “Toda essa confusão traz um alerta, um engajamento, aconteceu em SP que alguns professores de escolas da elite declararam que fariam greve contra a reforma previdenciária. E os alunos disseram que não concordaram”, disse.

No entanto, Murilo entende que a expressão dos votos no Congresso foi robusta o suficiente para impedir pressões de fora, mesmo que vindo das ruas.

Mas um ponto a ser levado em conta é um cenário desfavorável quando se considera a popularidade de Temer, em queda desde que assumiu a Presidência, em maio de 2016. E nisso resvala o desempenho econômico do País.

Para o senador do Democratas, Ronaldo Caiado, a verdadeira motivação dos protestos de 28 de abril: “o foco que diz respeito ao desemprego e o Governo não tem tido a competência de responder à altura ao sentimento e esperança da sociedade brasileira”.

O deputado do PSOL, Chico Alencar, apesar de ser oposição, tem um discurso alinhado ao democrata porque também alinhava o desemprego no topo da motivação das paralisações. “Eu percebo uma confluência de muita indignação com a situação econômica, com a corrupção, com precarização de direitos”, explicou.

Segundo o cientista político da USP, José Alvaro Moisés, em evento em São Paulo, a participação popular sempre equilibrou decisões importantes do país.
Ele prevê que não será diferente, também, em relação à reforma política: “quanto mais pressão, mobilização da opinião pública tiver para as questões positivas que estão na agenda de reformas será positivo”.

Moisés se referiu ainda ao Manifesto à Nação propondo uma assembleia de notáveis para fazer a reforma política.

A greve ocorre na semana em que a Câmara dos Deputados colocou a reforma trabalhista em votação.

E para aprovar a reforma da Previdência, Temer precisará do “sim” de 308 deputados, o mesmo que três quintos da Câmara. O Planalto aceitou recuar em alguns pontos, como regras diferentes para mulheres e trabalhadores rurais, mas o apoio no Congresso ainda é incerto.

Até o momento, apenas 76 parlamentares declaram publicamente que votarão a favor, segundo placar elaborado pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.

*Informações da repórter Carolina Ercolin