Haddad volta atrás e diz que pode retirar redução da velocidade nas marginais

  • Por Jovem Pan
  • 22/07/2015 10h49
Brazil Photo Press/FolhapressSecretário Municipal de Transportes afirmou que o "cenário é crítico"

Reinaldo, quer dizer que Fernando Haddad acha que a cidade é um campo de provas de amadores?

Se havia alguma dúvida de que a maior cidade do país está entregue a um amador desastrado, ela se dissipou nesta terça. Em entrevista à rádio Estadão, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (SP), afirmou que pode recuar da decisão de reduzir a velocidade nas marginais Pinheiros e Tietê. Segundo ele, trata-se de uma ação experimental. E a prefeitura ainda pode voltar atrás. Ah bom! Como se sabe, com a intenção declarada de reduzir o número de atropelamentos, o limite na pista expressa caiu de 90 km/h para 70 km/h, e na local, de 70 km/h para 50 hm/h.

Disse o prefeito: “Vamos divulgar os resultados (dos relatórios da Companhia de Engenharia de Tráfego – CET). A sociedade vai acompanhar e depois vai poder ou consolidar esta política ou eventualmente rever, se for o caso”. Afirmou mais: “É bastante lógico pelo menos experimentar, verificar como, pela redução da velocidade máxima, se consegue uma velocidade média maior”.

Dita a coisa de outro modo: Haddad decidiu que a maior cidade do Brasil é um campo de testes de um amador arrogante, que vai fazendo o que lhe dá na telha e que alimenta um profundo desprezo pela inteligência alheia.

O paulistano vem aguentando muito desaforo da inexperiência prepotente de Haddad. Essa história das marginais foi a gota d’água. Os memes na Internet ironizando a sua decisão estúpida se multiplicaram ontem.

Haddad está pouco se lixando se as suas propostas para a cidade são ou não eficientes. Ele está mais interessado em fazer triunfar as suas ideias. Nesse sentido, carrega o pior vício de certo idealismo autoritário que, ora vejam, era criticado até pelo próprio Marx, que podia ser maligno, mas não era burro.

No livro “A Ideologia Alemã”, ele explica por que a Alemanha acabou perdendo para a França a região da Alsácia-Lorena. Ele diz que os alemães, em vez de pilhar o estado francês, preferiam pilhar a filosofia francesa; em vez de germanizar as províncias dos inimigos com ações práticas, preferiam tentar germanizar a sua filosofia. Assim faz o subintelectual Fernando Haddad: em vez de ele demonstrar, então, a superioridade do seu entendimento da cidade, tornando melhor a vida das pessoas e mais eficiente a gestão, ele prefere colonizar mentes.

Haddd se ocupa menos de fazer a cidade funcionar do que de tentar demonstrar o acerto de suas teorias, amparado por uma minoria de radicais. Se colhe resultados contrários ao pretendido, ele, então, acusa o reacionarismo dos críticos. FHC, um intelectual de verdade, nunca disse “esqueçam o que eu escrevi”. Isso é mentira! Se tivesse dito, no entanto, não teria sido ruim para ninguém.

A democracia consiste na melhor saída técnica possível, endossada por uma maioria, em busca do consenso também possível. Só as mentalidades autoritárias, tendentes à tirania, imaginam que sua função, no comando do estado, seja permanentemente desafiar o senso comum com uma sabedoria supostamente superior. Haddad governa incitado por minorais organizadas que acreditam, também elas, que sua função é igualmente, colonizar mentalidades.

A gestão não é apenas desastrada. Ela se orienta ainda por critérios que parecem ser de inequívoca má-fé técnica.

Reportagem da Folha desta terça evidencia, por exemplo, que, “na versão da São Paulo oficial, a promessa petista de construir 150 km de corredores de ônibus até o fim do mandato, em 2016, aparece com 51,9% de avanço. Na versão real da cidade, no entanto, só foram entregues 2,3 km de corredores, o equivalente a 1,5% da meta”. Entenderam?

E como o prefeito consegue o milagre da multiplicação de obras? É que Haddad contabiliza como obra parcialmente realizada as etapas burocráticas para a sua futura eventual realização. Mais um exemplo? “O prefeito prometeu construir 55 mil unidades habitacionais. No site em que o cidadão pode acompanhar as metas, o avanço da promessa é de 45,2%. Mas a prefeitura só entregou 4.944 apartamentos (8,9% do total).” E como se faz isso? O jornal explica: “O segredo está no jeito como a meta é descrita no site: ‘obter terrenos, projetar, licitar, licenciar, garantir a fonte de financiamento e produzir 55 mil unidades’. A cada uma dessas etapas é atribuído um peso, possibilitando, por exemplo, que o desempenho chegue a 40% antes mesmo da criação de um canteiro de obras”.

Que coisa!

Se Haddad estabelecer amanhã que a cidade de São Paulo mandará uma nave tripulada à Lua, tão logo ele crie um grupo de trabalho para cuidar do assunto e para selecionar os astronautas, ele dirá que a cidade já cumpriu ao menos 10% da meta da… conquista da Lua.

Justiça, vá lá, se lhe faça: também os petistas se irritam com Haddad para valer e estão entre seus maiores críticos. Ele, de fato, é um homem que chega bem perto da unanimidade.