João Santana, o “Feira”, será convidado para esclarecer outros codinomes

  • Por Jovem Pan
  • 23/02/2016 10h12
SP - OPERAÇÃO LAVA JATO/ODEBRECHT - GERAL - Agentes da Polícia Federal fazem buscas na sede da Odebrecht, em São Paulo (SP), durante a 23ª fase da Operação Lava Jato, nesta segunda-feira (22). Um dos alvos desta etapa é o publicitário João Santana, que foi marqueteiro das campanhas da presidente Dilma Rousseff e da campanha da reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006. 22/02/2016 - Foto: MARCOS BEZERRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO MARCOS BEZERRA / FUTURA PRESS / ESTADÃO CONTEÚDO PF deflagra Operação Acarajé

 O relatório da Lava Jato que resultou na prisão de João Santana também cita Lula e aponta um possível envolvimento do ex-presidente em práticas criminosas. O publicitário teve a prisão temporária decretada por suspeita de receber propina da Petrobras como pagamento de serviços prestados ao PT. A 23ª fase da operação foi deflagrada na segunda-feira (22/02) e recebeu o nome de “Acarajé”, como o dinheiro vivo era chamado.

O marqueteiro que trabalhou nas campanhas de reeleição de Lula, em 2006, e da presidente Dilma Rousseff, recebeu US$ 3 milhões. O relatório indica que a Odebrecht teria arcado com a construção do Instituto Lula e de outras propriedades pertencentes a Luiz Inácio da Silva. De acordo com os investigadores, a empreiteira deu dinheiro a João Santana por meio de uma conta secreta no exterior.

O publicitário e a esposa dele, Mônica Moura, também com a prisão decretada, estavam trabalhando na República Dominicana e voltarão ao Brasil. A Polícia Federal também cumpriu mandados em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

Um dos detidos é o engenheiro Zwi Skornicki, representante do estaleiro Keppel Fels. O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima declara que as provas contra João Santana são contundentes: “Hoje nós temos trabalhado com uma pessoa ligada ao partido dos trabalhadores e a outros partidos em campanhas anteriores, mas o principal nesse momento é vincular esses pagamentos a Petrobras, porque Zwi Skornicki era um operador dentro do esquema da Petrobras”. Lima acrescenta que a Odebrecht ajudou funcionários da Petrobras a fugir do Brasil depois de deflagrada a Lava Jato.

O delegado Rosalvo Ferreira Franco, superintendente Polícia Federal no Paraná, explica que a empresa pagou corruptos no exterior: “A planilha que tudo leva a crer ser do controle de financiamento ilícito, à margem da lei, de campanhas ao que parece do PT, também será objeto de investigação. Ali conseguimos a comprovação de que “o feira”, comentado na análise do celular do Marcelo, se trata de fato de João Santana, além de outras siglas de pessoas que a gente ainda não identificou, e a gente trará ele aqui para ser esclarecido e, se ele quiser, colaborar com a investigação”. Franco destaca que o engenheiro Zwi Skornicki pagou US$ 4,5 milhões no exterior.

Novas provas contra Marcelo Odebrecht, réu da Lava Jato e preso em Curitiba, foram identificadas. Ele tinha controle sobre os recursos enviados para fora do Brasil por meio de offshores e entre os favorecidos estariam João Santana e José Dirceu. Em nota, a Odebrecht afirma que está à disposição das autoridades para colaborar com os investigadores.