76,4% de mulheres agredidas no Brasil sofreram violência por parte de algum conhecido

  • Por Jovem Pan
  • 26/02/2019 06h52
European Parliament/Pietro Naj-OleariA projeção é da segunda edição do estudo “Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil”, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha

No Brasil, 536 mulheres foram agredidas por hora em 2018. A projeção é da segunda edição do estudo “Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil”, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha.

Os dados mostram que a maioria dos casos de violência contra a mulher são praticados por um conhecido. Quase 24% dessas vítimas relatam que foram agredidas pelo parceiro; 21% pelo vizinho e 15% por um ex-companheiro.

A diretora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, alertou para o crescimento da violência no âmbito privado.

Três por cento das entrevistadas contam que sofreram algum tipo de violência em um bar ou balada; 8% no trabalho ou na internet; 29% foram vítimas na rua e 42% foram agredidas em casa.

É o caso da paisagista Elaine Caparroz, de 55 anos, que foi espancada por mais de quatro horas dentro do próprio apartamento. Vinícius Serra, o agressor, está detido e foi indiciado por tentativa de feminicídio.

De acordo com o Disque 180, o número de assassinatos de mulheres por causa do gênero quase triplicou de 2017 para 2018.

A promotora Valéria Scarance, coordenadora do Núcleo de Gênero do Ministério Público de São Paulo, acredita que o aumento nos relatos é uma resposta às iniciativas de combate à violência.

Das 16 milhões de brasileiras que sofreram algum tipo de violência, quase 43% são jovens entre 16 e 24 anos. Mulheres com ensino médio ou superior relatam mais casos de assédio e agressões do que aquelas que apenas cursaram o ensino fundamental.

Para Samira Bueno, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o dado mostra que a informação é o caminho para a denúncia.

Cinquenta e dois por cento das vítimas de violência não fizeram nada após sofrer uma agressão. Apenas 10% procuraram uma delegacia especializada, e 8% uma comum. A promotora Valéria Scarance, do MP paulista, incentivou as vítimas a procurar ajuda do poder público.

Pelo menos 59% da população afirma ter visto uma mulher sendo agredida física ou verbalmente no último ano. Casos como o de Elaine, a paisagista agredida em casa, mostram que é preciso intervir em situações de violência.

Para denunciar qualquer tipo de agressão contra mulheres disque 180. O sigilo é garantido.

*Informações da repórter Marcella Lourenzetto