Acidente da TAM em Congonhas completa 10 anos sem nenhuma condenação

  • Por Jovem Pan
  • 18/07/2017 07h24
Simuladores foram utilizados para refazer a viagem daquela noite chuvosa de julho e o pouso sem sucesso na escorregadia pista de Congonhas

As investigações do acidente do voo 3054 da TAM que matou 199 pessoas duraram aproximadamente dois anos. Os peritos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) se debruçaram sobre os dados das caixas-pretas.

Simuladores foram utilizados para refazer a viagem daquela noite chuvosa de julho e o pouso sem sucesso na escorregadia pista de Congonhas. As poucas peças que sobraram do Airbus também contribuíram para a confecção do relatório final que gerou 83 recomendações a TAM, Airbus e Infraero, que administra o aeroporto da capital paulista.

Mas de quem foi a culpa?

Momentos após a tragédia, o Brigadeiro José Carlos Pereira, então presidente da Infraero descartava a culpabilidade da estatal devido à falta de “grooving”, as ranhuras no asfalto.

O comandante Kleyber Aguiar Lima e o copiloto Henrique Stephanini di Sacco, puxaram os manetes dos dois motores para reverso, no entanto, um deles estava desabilitado.

Além disto o avião estava muito pesado com 2,4 toneladas de querosene a mais do que o necessário para o percurso até São Paulo.

O especialista em segurança de vôo e perito formado pelo Cenipa, Comandante Jorge Barros indicava que o pouso naquelas circunstâncias jamais poderia ter ocorrido com o reverso pinado.

Em uma declaração contundente aos microfones da Jovem Pan, o então diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Carlos Camacho, cobrava as responsabilidades e assinalava que a tragédia já era anunciada pelos desmandos no setor.

Inicialmente, 11 pessoas foram responsabilizadas, este número caiu para três. O Ministério Público havia pedido a prisão dos envolvidos por entender que assumiram o risco de expor ao perigo as aeronaves que operavam em Congonhas.

O promotor Mário Luis Sarrubo que acompanhou de perto o caso lamentou a decisão judicial.

Os acusados no processo eram Denise Abreu, então diretora da Anac; Alberto Fajerman, ex-vice-presidente de operações da TAM; e Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro, ex-diretor de segurança de voo da empresa. Todos foram absolvidos. Ainda cabe recurso da decisão nas instâncias superiores.

No próximo capítulo da série de reportagens, os 10 anos do maior acidente da história da aviação brasileira, o drama dos familiares e o que mudou no setor aéreo do País.

*Reportagem de Daniel Lian