Agência aponta que Temer deve descumprir teto que ele mesmo impôs em 2018

  • Por Jovem Pan
  • 16/09/2017 15h12
BRA100. BRASILIA (BRASIL), 05/12/2016. - El presidente de Brasil, Michel Temer (d), asiste junto al ministro de Finanzas Henrique Meirelles (i) hoy, lunes 5 de diciembre de 2016, a una reunión con líderes de su base aliada en la Cámara y el Senado, en la ciudad de Brasilia (Brasil). EFE/Joédson AlvesTemer e ministro da Fazenda Henrique Meirelles: o desafio de cortar gastos em meio a pressões políticas

O mercado financeiro estima que o governo federal de Michel Temer vai descumprir já em 2018 o teto constitucional dos gastos, estabelecido por ele mesmo em PEC aprovada em no ano passado.

Levantamento feito pelo economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, mostra que a expectativa é de que o governo deve cumprir a regra do teto apenas em 2017. Aí, o limite de gastos seria ultrapassado nos anos seguintes.

Perfeito deu uma entrevista exclusiva a Carlos Aros no Jornal da Manhã deste sábado (16). Ouça e leia.

Segundo o economista, a despesa projetada para 2018 é de 5,5% de aumento e a inflação, de 3,15%. Já em 2017, “os gastos vão ser cumpridos com folga”, projeta.

O governo pensou que a inflação seria maior.

É claro que essa é apenas uma projeção do mercado, mas serve de alerta, diz.

Para Perfeito, 2017 era um ano mais fácil para fazer corte de gastos pois “tinha algumas sobras”.

Ano que vem, no entanto, já seria difícil em “situações normais”. Some-se a isso eleições e crise política.

“A gente dimensionou um pouco errado o problema fiscal no curto prazo”, explica Perfeito. “Houve uma queda muito abrupta das receitas”.

A solução para driblar a situação a curto prazo é aumentar a receita no curto prazo, por meio de aumento de impostos ou da atividade econômica. A atividade da economia, porém, permanece em baixa.

“No curto prazo vai ser muito difícil atingir a PEC dos gastos”, conclui.

Ele critica também: “fazer privatização de qualquer jeito só para levantar dinheiro parece ser uma atitude afobada do governo”.

“Tem que voltar mais rápido possível para a discussão anterior, de como construir um superávit”, sugere.