Ainda “desconhecido”, vice de Alckmin já projeta presença no 2º turno para o governo de SP

  • Por Jovem Pan
  • 19/12/2017 09h07 - Atualizado em 19/12/2017 09h13
Guilherme Lara Campo/ Divulgação/ Governo do Estado“Com o tempo vou ficar conhecido e com o tempo estarei no segundo turno, veremos quem estará comigo”, disse Márcio França

Com a proximidade do momento em que são oficializadas as candidaturas para o Congresso, governos estaduais e Presidência da República, muito se espera a respeito dos nomes e da força dos partidos.

O atual presidente nacional do partido e governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, é nome do PSDB para a Presidência, enquanto isso, seu vice, Márcio França (PSB), começa a se movimentar para ser o nome à sucessão do tucano no Palácio dos Bandeirantes.

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, Márcio França foi direto ao anunciar sua intenção de concorrer ao governo de SP: “com o tempo vou ficar conhecido e com o tempo estarei no segundo turno, veremos quem estará comigo”.

Admitindo que é conhecido por apenas 11% da população, o vice-governador minimizou e disse que é “até vantagem não ser reconhecido hoje em dia, já que todo mundo tem bronca de todos na política”.

Na condição de governador do Estado, Alckmin deverá renunciar no ano que vem para ser candidato à Presidência, ao mesmo tempo, França assume na interinidade. “Só posso ser candidato à reeleição. Na medida que tem governador como Alckmin e ele renuncia, o ato seguinte é perguntar quem ficou no lugar dele. Suponho que na medida que ele saia, quem está no cargo fica conhecido”, disse.

PSB x PSDB

Filiado ao PSB, Márcio França falou em ética ao dizer que manterá em seu governo aqueles que o apoiarem.

“Eticamente, quando está em governo exercendo cargo de confiança deve lealdade a quem está comandando o governo. Do mesmo jeito que quando eu assumir devem lealdade a mim. Quem estiver incomodado, sai. Saem aqueles que forem fazer campanha para o candidato do PSDB ao governo de SP. É o correto. É o que Alckmin faria. Quando ele me chamou para vice, ele supunha que uma hora ia sair do governo. Ele confia em mim e acho que essa confiança vai ser recíproca”, explicou.

PSB aliado de PSDB ou do PT?

Traçado um cenário com um candidato do PSDB ao governo de SP, fica um conflito entre o partido de França e os tucanos, o que pode virar um terreno minado para Alckmin e enfraquecê-lo em seu próprio Estado durante a disputa pela Presidência.

Entretanto, Márcio França descartou qualquer tipo de “briga”.

“Confio muito na capacidade de articulação do governador. Quando começou articulação no PSDB ninguém achava que ele seria o candidato. Tenho a impressão que lá na frente encontraremos jeito de conviver com o PSDB. Compreendo que eles estão há muitos anos e é difícil a pessoa trocar. Mas por que o PSDB não pode apoiar outro candidato? Já que os outros partidos podem apoiar o PSDB”, questionou.

Por outro lado, se em SP o PSB apoia Alckmin para a Presidência, em Pernambuco o partido procura se aliar com o PT. “Isso reflete o sentimento brasileiro. Faz cinco eleições que o Brasil se divide com traço no meio. Abaixo de Minas Gerais a parte azul e acima a parte vermelha. Em Pernambuco, Lula tem maioria. Pessoas tentam se aproximar de quem está mais na frente. Não tem sentido a gente apoiar Lula. Na minha visão não é coerente fazer movimento de retorno e apoiar PT. Vou tentar convencer meu partido que melhor opção para o Brasil é Alckmin”.

Nome do PSDB para o governo de SP

Para Márcio França, José Serra seria o nome mais sensato entre os tucanos para a disputa pela sucessão de Alckmin. Mas ele aproveitou para mostrar sua vontade na disputa pelo governo: “tenho admiração enorme pelo Serra, já foi governador, mas a animação dele pra ser de novo não é a mesma que a minha”.

Sobre o prefeito de São Paulo, João Doria, que especulou a Presidência e o governo estadual, o vice de Alckminfoi claro: “é um cara genial, mas se renuncia com um ano de mandato a pessoa entrega seu voto e ele larga? Dá a impressão que você despreza, não é perfil dele”.

Confira a entrevista completa com o vice-governador de São Paulo, Márcio França: