‘Ainda é preciso entender proposta de Guedes’, diz presidente do BC sobre possível imposto

  • Por Jovem Pan
  • 20/12/2019 07h31
Edilson Rodrigues/Agência SenadoDe acordo com Roberto Campos Neto, qualquer tipo de novo imposto terá impacto

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, comentou, nesta quinta-feira (19), as declarações dadas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a possível recriação de um imposto nos moldes da extinta CPMF. De acordo com Campos Neto, todo o imposto sobre transações financeiras tem algum tipo de impacto.

Apesar de dizer que este tributo está descartado, Guedes alerta sobre a possibilidade de um imposto amplo sobre transações, inclusive as digitais, segundo ele, é inescapável. O presidente do BC, por sua vez, acrescentou que ainda é preciso entender qual é o imposto considerado pelo governo.

“Todo imposto que é aplicado sobre intermediação financeira tem um impacto, então a gente precisa entender qual o imposto e ver qual o tipo de impacto. Então não tem muito mais para comentar em relação a isso. Eu entendi que existe um entendimento de que precisa ser feita uma troca entre a contribuição patronal e os impostos que incidem sobre o mercado de trabalho”, disse, durante evento de divulgação de projeções econômicas.

Números

O Banco Central projeta inflação de 4% para este ano, 3,5% para 2020 e 3,4% para 2021 e 2022. Em 2019, a expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) passou de 0,9% para 1,2%. Para o ano que vem, a projeção para o crescimento do PIB foi revisada de 1,8%  porcento para 2,2 % .

O economista Sérgio Vale destaca que, se não houver nenhuma turbulência pela frente, o país seguirá com uma melhor perspectiva. “Eu tenho uma expectativa positiva para 2020. A gente vê um final de 2019, como estamos vendo agora nos últimos meses, com números bastante razoáveis para a economia, e eu acho que dá para de fato entregarmos um crescimento mais forte no ano que vem”, afirmou.

No relatório apresentado, o BC apontou que o maior impulso da economia em 2020 está condicionado ao cenário de continuidade das reformas e ajustes na economia brasileira.

*Com informações do repórter Daniel Lian