Ainda restrita, medicina personalizada é o futuro para o tratamento do câncer

  • Por Jovem Pan
  • 16/09/2019 06h52
PixabayUm conjunto de técnicas e coletas de dados vem revolucionando, aos poucos, o tratamento e atingindo bons resultados

O avanço em estudos de genes proporcionou a criação de tratamentos e medicamentos personalizados para cada paciente. Atualmente, o câncer é uma das principais causas de morte no mundo. De acordo com a OMS, só em 2018, mais de 9,6 milhões morreram por causa da doença.

Com a medicina de precisão, essa realidade pode mudar.

Um conjunto de técnicas e coletas de dados vem revolucionando, aos poucos, o tratamento e atingindo bons resultados. A fonoaudióloga Patrícia Lopes Batista Pinto foi diagnosticada com câncer de pulmão em agosto de 2014 e viu na medicina personalizada uma forma de aliviar os efeitos colaterais da quimioterapia.

“Comecei o tratamento como uma quimioterapia convencional, como todos fazem. No início do tratamento, não haviam muitos medicamentos que tratassem apenas do câncer de pulmão. A médica que me acompanhou, e me acompanha até hoje, insistiu muito para que eu fizesse um exame específico onde acontece uma pesquisa de mutação genética. Pelo meu perfil ela achava que poderia ter alguma mutação, já que eu não tinha histórico que pudesse justificar tudo isso.”

O material foi enviado para uma análise no exterior e o laboratório identificou uma mutação genética na Patrícia. A partir da descoberta, a fonoaudióloga começou a receber um tratamento específico para o caso dela.

De acordo com o oncologista Marcos André da Costa, esse tipo de personalização é o caminho para tratamentos mais eficazes. “Essas drogas são o futuro da oncologia, temos drogas cada vez mais eficientes dentro de cada categoria.”

A ideia é usar o mapeamento para identificar qual gene é responsável pelo aparecimento de tumores e, a partir disso, saber qual a melhor opção para tratá-lo.

Para Marcelo Oliveira, líder da Foundation Medicine, um banco genético também é importante para tratamentos no futuro. “É pra que com base na jornada de pessoas que já viveram a doença, você ajude tratamentos futuros. O banco de dados é muito mais importante para o futuro do que para o presente.”

No entanto, a medicina de precisão ainda é para poucos. O acesso a esse tipo de tratamento contra o câncer é muito custoso. Apesar disso, Marcelo Oliveira, que lidera uma empresa de testes genéticos, é otimista, e acredita na universalização do tratamento:
“Muitos atores da sociedade hoje olham para a medicina personalizada. Eu posso dizer, sem medo de errar, que todos estão buscando melhores preços, diminuição de custo, para que o sistema seja mais sustentável.”

De acordo com ele, gerenciar melhor os recursos é um dos grandes objetivos de toda a cadeia de saúde, para que mais pessoas tenham acesso a um sistema de qualidade.

*Com informações da repórter Marcella Lourenzetto