“Alguém precisa ser responsabilizado”, diz prefeito de Mariana após suspensão de ação

  • Por Jovem Pan
  • 08/08/2017 10h39 - Atualizado em 08/08/2017 10h46
Mariana (MG) - O prefeito de Mariana, Duarte Júnior, durante coletiva sobre o rompimento de barragens da mineradora Samarco no distrito de Bento Rodrigues, zona rural de Mariana, em Minas (Antonio Cruz/Agência Brasil)"A cidade continua muito linda", afirma Duarte Junior

O prefeito de Mariana (MG) continua acreditando na Justiça. Duarte Junior diz que a cidade mineira afetada pelo rompimento da barragem de Fundão em 2015 “aguarda muito e ansiosa” que a Justiça demonstre rapidamente os responsáveis legais pela tragédia.

A Justiça Federal suspendeu o processo de homicídio contra 22 pessoas pelo desastre de Mariana. Em novembro de 2015, rompeu-se uma barragem de rejeitos da Samarco, empreendimento das mineradoras brasileira Vale e anglo-australiana BHP, as maiores do mundo, matando 19 pessoas, deixando mais de 300 famílias desalojadas e afetando gravemente a ecologia local. A lama ainda atingiu o Rio Doce e foi carregada até o Espírito Santo, no litoral, comprometendo a fauna e flora de 40 cidades do percurso e a subsistência de milhares de pessoas.

A Jovem Pan conversou nesta terça-feira com o prefeito de Mariana, Duarte Junior, que comentou a suspensão do processo e informou a situação do atendimento às vítimas na histórica cidade mineira.

A ação está suspensa para apurar alegação da defesa dos acusados de que provas ilícitas teriam sido usadas na denúncia apresentada pelo Ministério Público, o que pode causar até a anulação da ação penal. O MP nega que tenha utilizado escutas não autorizadas pela Justiça.

Mesmo não tendo conhecimento do inteiro teor da suspensão, Duarte disse que a decisão “surpreendeu”. “Alguém precisa ser responsabilizado”, cobra.

“O nosso sentimento como marianenses é que é a maior tragédia da história do país e percebemos desde o início que houve, sim, uma falha humana. E onde está essa falha humana? A gente aguarda muito e ansiosos que a Justiça possa nos demonstrar, claro respeitando sempre o contraditório e o direito à ampla defesa”, espera Duarte Jr. “Vamos continuar acreditando, sim, na Justiça. E alguém precisa ser responsabilizado. Nós perdemos vidas e isso é o que há de mais importante. Mas a gente continua confiante de que (essa) é mais uma etapa de todo o processo e, no final, a Justiça possa demonstrar quem é responsável por tudo o que aconteceu”, declarou.

Indenizações

O prefeito de Mariana informou ainda que as famílias atingidas em Mariana têm recebido apoio, mas cobra mais agilidade.

“Aqui em Mariana estamos tendo um acompanhamento mais próximo do Ministério Público. Há uma empresa contratada para acompanhar os atingidos”, diz. “As pessoas estão recebendo o aluguel social, recebem uma ajuda de custo mensal.

As indenizações às vítimas, no entanto, ainda não começaram a ser pagas quase dois anos. Mas a empresa “tenta chegar a um acordo”, segundo o prefeito.

Já em Governador Valadares, por onde passa o Rio Doce, a população começou a receber indenização pela falta de água.

A gente percebe que as coisas estão acontecendo, o dinheiro foi disponibilizado (…), mas ainda de forma tímida”, diz Duarte Jr.

“A queda de receita em Mariana foi de 30% e isso começa a comprometer alguns serviços essenciais”, destaca também.

“Tem muita coisa acontecendo, mas a gente precisa agora de maior agilidade”.