Alta da Selic para 12,75% é ‘excessiva e equivocada’, diz CNI

Patamar é o maior desde janeiro de 2017, quando era de 13%; décima alta consecutiva na taxa de juros leva receios ao varejo

  • Por Jovem Pan
  • 05/05/2022 09h32 - Atualizado em 05/05/2022 12h27
Adriano Machado/Reuters Homem passa em frente ao prédio do Banco Central em Brasília Décima alta consecutiva na taxa de juros aprovada pelo Banco Central leva receios ao varejo

A taxa Selic subiu 1 ponto percentual, passando de 11,75% ao ano para 12,75%, maior patamar desde janeiro de 2017, quando era de 13%. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a nova alta na taxa é excessiva e equivocada. Em manifestação por meio de nota, a entidade indica que o índice deve comprometer ainda mais a atividade econômica, que já dá claros sinais de fraqueza. Para a indústria, a intensificação do ritmo de aperto da política monetária piora as expectativas do crescimento econômico em 2022, com efeitos adversos sobre a produção, o consumo e o emprego.

O aumento dos juros determinado pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, que já era esperado pelo mercado, deve chegar à ponta. A expectativa agora é de que haja uma estagnação nas sucessivas altas. O economista da Associação Comercial de São Paulo Ulisses Ruiz de Gamboa destaca que, esse persistir ritmo, as subidas tendem a não surtir mais efeito. “O que o Banco Central quer inibir é o repasse desse aumento de custos para os preços finais. Mas isso já não está acontecendo numa proporção de 100%. Então, esse repasse já está sendo menor. As empresas do varejo estão repassando o mínimo necessário aos preços finais. E vai chegar a um momento em que, se realmente o ciclo de juros continuar em alta, se os juros continuarem aumentando, que esses aumentos já não vão ter tanto efeito em relação a esses repasses, porque os repasses dependem de uma demanda, de uma procura, de uma venda forte. Se as vendas enfraquecem, há menos capacidade de repassar”, explica.

A décima alta consecutiva na taxa de juros leva receios ao varejo. Para comerciantes, a elevação pode gerar um freio na economia, inibindo consumidores, especialmente pela projeção de encarecimento do crédito. “O aumento faz com que os juros do crédito ao consumo aumentem, os prazos de financiamento posteriormente diminuem. Então, o valor da prestação para o consumidor que quer comprar crédito aumenta. Além de que os bancos terminam diminuindo a concessão de crédito, porque aumenta o risco da inadimplência. Então, tudo isso faz com que fique mais difícil vender, principalmente aqueles produtos mais dependentes do crédito, eletroeletrônicos, veículos, produtos que, naturalmente, o consumidor tende a parcelar”, explica o economista.

*Com informações do repórter Daniel Lian