Apesar de pressão da China no Brics, Bolsonaro evita críticas ao protecionismo

  • Por Jovem Pan
  • 15/11/2019 06h48
EFEComo já era esperado, o documento que foi assinado ao fim da Cúpula não cita problemas considerados importantes para o Brasil

Encerrada a Cúpula dos Brics, o presidente Jair Bolsonaro ainda se reuniu reservadamente com os presidentes da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e da Rússia, Vladimir Putin – que chegou quase uma hora atrasado no Palácio do Planalto para encontro com o mandatário brasileiro.

O objetivo do Governo brasileiro é garantir um maior intercâmbio comercial com todos os parceiros, uma vez que, no campo político, praticamente não se avançou.

Como já era esperado, o documento que foi assinado ao fim da Cúpula não cita problemas considerados importantes para o Brasil, como a situação da Venezuela e da Bolívia. O Governo brasileiro admitiu que nem levantou a questão, já que sabia que, como não há consenso com a China e a Rússia, não haveria avanço.

Em contrapartida, o presidente Bolsonaro também já avisou que não vai entrar na discussão levantada pelos dois presidentes, que fizeram duras críticas ao protecionismo dos Estados Unidos – considerado um parceiro importante para o Brasil.

O presidente, apesar de reclamar da pequena participação do Brasil no banco dos Brics, avaliou a reunião como muito positiva.

Em entrevista, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que a Bolívia está à beira do caos e que há um vácuo de poder desde que Evo Morales renunciou à presidência do país.

Ele disse ainda que espera que os novos governantes bolivianos mantenham a cooperação com a Rússia e já reconheceu a nova presidente autodeclarada, Jeanine Añez. Para o presidente Bolsonaro, a crise no país vizinho fortalece ainda mais a necessidade da implantação do voto impresso no Brasil

Vale lembrar que, na Bolívia, a eleição não é semelhante à do Brasil – com 100% do processo eletrônico – e os problemas apareceram exatamente na contagem manual dos votos.

Mesmo assim o presidente ressaltou que para as eleições municipais do ano que vem “não dá mais”, mas que o objetivo é garantir a possibilitar de se confirmar os resultados das urnas eletrônicas brasileiras já em 2022.

*Com informações da repórter Luciana Verdolin