Apesar de ser mais cara, mineração a seco é mais segura que processo usado em Brumadinho

  • Por Jovem Pan
  • 01/02/2019 06h58 - Atualizado em 01/02/2019 07h20
EFE A ocorrência de mais uma tragédia no setor da mineração trouxe a tona o debate sobre opções sustentáveis e um alerta para que o modelo nacional seja repensado

Apesar de 30% mais caro, o processo de mineração a seco é bem mais seguro do que o processo tradicional que funcionava em Mariana e Brumadinho. A ocorrência de mais uma tragédia no setor da mineração trouxe a tona o debate sobre opções sustentáveis e um alerta para que o modelo nacional seja repensado.

No final de 2016, a Agência Nacional de Mineração fiscalizou mais de 800 barragens no país, onde pelo menos 220 possuem um alto potencial de dano. A boa notícia é que existem outros modelos considerados muito mais seguros, por exemplo, a mineração a seco, sem uso da água para separar o minério do solo.

Juarez Filho, diretor-presidente da Ourominas, defendeu que a sustentabilidade deveria ser prioridade no setor: “não se usa água, cianeto, mercúrio e nem outro produto químico. O objetivo é fazer com que a separação seja por densidade. Há algumas formas, alguns métodos no separador que faz isso ser extremamente eficiente. O custo pode ser mais elevado, mas o custo da saúde humana e ambiental acaba sendo muito menor”.

O mais curioso é que um dos principais exemplos práticos da mineração a seco é o projeto S11D da Vale, que está em funcionamento no Pará desde 2017 e o objetivo da companhia brasileira é que até 2022 o Estado do Norte tenha 70% da mineração de ferro a partir dessa técnica.

O professor de Engenharia Civil da Faap, Paulo Lanzarotto, disse que a mineração a seco vem do Canadá e reforçou que a principal barreira para que ela seja implantada é o seu custo: “esse processo é muito utilizado no Canadá, onde a legislação ambiental e as exigências com as mineradoras façam que elas tenham que aplicar esse processo menos impactante ao meio ambiente”.

Em Minas Gerais, a Vale diz que ampliou o processamento a seco de 20% em 2016 para 32% em 2018, mas não foi suficiente.

*Informações do repórter Victor Moraes