Apesar de Trump pregar “dólar forte”, moeda fraca faz sentido, diz Rubens Ricupero

  • Por Jovem Pan
  • 27/01/2018 12h19 - Atualizado em 27/01/2018 12h50
Divulgação Divulgação Segundo o Ricupero, a ida de Trump a Davos também teve como objetivo alguns gestos

Na reunião anual do Fórum Econômico Mundial, realizada na última semana, o destaque foi a presença do presidente americano, Donald Trump. Antes dele, somente Bill Clinton, em 2000, compareceu no encontro.

Em entrevista exclusiva à Jovem Pan, o embaixador e ex-ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, disse que o mandatário dos Estados Unidos tentou reforçar o discurso sobre o dólar que se espera de quem ocupa a posição, após a polêmica envolvendo a declaração do secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, de que o dólar fraco seria favorável. Para ele, as palavras do integrante do governo fazem mais sentido.

“Isso por uma razão muito simples. Os Estados Unidos tem um problema muito grave de déficit comercial. E, pra eles, não há dúvida nenhuma de que um dólar mais fraco ajude a corrigir esse déficit”, contou.

Além disso, na visão de Ricupero, Trump aproveitou a ocasião para, basicamente, confirmar a mensagem que usou durante toda a campanha que o levou à Presidência do país.

“Embora ele tenha procurado dizer que não é protecionista e que ele é, sobretudo, contrário ao que ele chama de comércio predatório, o miolo do discurso dele é todo dentro daquela filosofia de América em primeiro lugar e é bem contrária à filosofia que inspira o encontro de Davos, que é a globalização, a liberdade das trocas e etc.”, afirmou o embaixador.

Segundo o Ricupero, a ida de Trump a Davos também teve como objetivo alguns gestos. Um deles visa melhorar a situação com a Inglaterra. Segundo Ricupero, havia ficado um mal-estar com o país, já que, após cancelar uma ida a Londres, ele convidou primeiro-ministro francês, Emmanuel Macron, a ser o primeiro a visitar os Estados Unidos.

Confira no áudio acima a entrevista completa do embaixador e ex-ministro da Fazenda.