Apoio nas ruas fortalece Moro para depoimento, diz presidente da CCJ

  • Por Jovem Pan
  • 02/07/2019 09h53
Will Shutter/Câmara dos Deputados"Moro mostrou que tem o apoio popular, o cidadão brasileiro prestigia muito o ministro", disse Francischini

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, deve ser ouvido nesta terça-feira (2) por quatro comissões da Câmara dos Deputados sobre as conversas vazadas pelo site The Intercept no período em que ele ainda julgava os casos da Operação Lava Jato.

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã desta terça-feira, o presidente da CCJ, Felipe Francischini (PSL), disse enxergar que Moro chega fortalecido ao depoimento, uma vez que foi personagem central das manifestações do último domingo (30). “Ele mostrou que tem o apoio popular, o cidadão brasileiro prestigia muito o Moro”, disse.

Questionado sobre a necessidade de duas participações do ministro no Congresso, uma vez que Moro já falou no Senado, o presidente da CCJ explicou que isso se deve ao respeito que ministro tem pelo parlamento. “Quando decidiu ir ao Senado, ele já havia pensado em ir na Câmara. É uma questão de respeito ao Congresso. O ministro não tem nada a esconder.”

Quando participou da CCJ do Senado, aliás, Moro falou por quase nove horas seguidas. A depender do número de perguntas previstas para a sessão desta terça, o fato deve se repetir. Segundo Francischini  já são mais de 100 deputados inscritos, o que deve fazer com que a sessão estique até o início da noite. “Vai durar bastante tempo, mas isso não é ruim. É apenas uma vez”, disse.

Na última participação de um membro da equipe do governo na CCJ,  houve uma série de espetáculos grotescos. Na ocasião, o ministro Paulo Guedes explicava detalhes da reforma da previdência a casa quando o deputado Zeca Dirceu (PT-PR) o chamou de ‘tchutchuca”.  “No dia do Guedes, os ânimos estavam inflamados, como estão hoje. É uma tentativa desesperada da oposição de tentar colar uma narrativa”, diz Francischini. “Eu como presidente da CCJ não posso cortar a palavra de um deputado, mas é claro qeu se partir para a baixaria ou xingar um coelga, eu cortarei o microfone.”

Como será a sessão

Moro será ouvido por parlamentares de quatro colegiados: Constituição e Justiça, Trabalho, Direitos Humanos e Fiscalização Financeira e Controle. O ex-juiz havia marcado o depoimento para a última quarta (26), mas declinou da audiência justificando ter uma viagem marcada para os Estados Unidos.

O vazamento de mensagens atribuídas a Moro sugere que o ministro teria agido em conjunto com o Ministério Público em processos da Operação Lava Jato. Na última vez que falou a parlamentares, no último dia 19, em uma audiência convocada pelo Senado, o ministro alegou que as conversas divulgadas pelo site não demonstravam desvios ou infrações e que haveria um grupo criminoso criado para invalidar suas decisões quando juiz.