Após 47 anos, Reino Unido deixa União Europeia nesta sexta

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 31/01/2020 08h06 - Atualizado em 31/01/2020 08h50
EFEO Big Ben, em reforma, não vai tocar -- uma projeção será feita em Downing Street, que fica ao lado, com uma contagem regressiva

Às 23 horas desta sexta-feira (31), no horário de Londres — 00h em Bruxelas e 20h em Brasília — o Reino Unido vai se tornar o primeiro país a se desfiliar da União Europeia.

Os britânicos tiveram dois pedidos de filiação ao bloco negados nos anos 1960 e finalmente aderiram na década de 1970. Agora, 47 anos depois, decidem seguir seu próprio rumo.

Uma decisão marcada por incertezas. Um passo no escuro. A maior aposta em uma geração — como descrevem alguns jornais hoje. Mas também um novo amanhecer para a terceira maior economia da Europa, que agora pode tomar as suas próprias decisões.

O fato é que o processo todo do Brexit trouxe enorme divisão para a sociedade britânica nos últimos quatro anos. As pesquisas de opinião, inclusive, indicam que o Reino Unido continua dividido entre os que apoiam o divórcio e os que prefeririam seguir na União Europeia.

Até por isso esse dia histórico não terá grandes celebrações.

O primeiro-ministro Boris Johnson preferiu adotar um tom sóbrio para não acirrar ainda mais os ânimos no país. Ele faz o que se espera de um chefe de estado preocupado com a nação — tenta adotar um discurso conciliatório para que a sociedade siga em frente.

Um grupo de apoiadores do Brexit vai se reunir na Parliament Square à noite numa celebração sem alto falantes, nem álcool, nem rojões — porque tudo isso é proibido pelas leis locais.

O Big Ben, em reforma, não vai tocar — uma projeção será feita em Downing Street, que fica ao lado, com uma contagem regressiva. Os prédios do Whitehall — a avenida que termina no Parlamento e abriga os gabinetes de governo — será iluminada com as cores da bandeira britânica.

Boris Johnson, por sua vez, vai reunir seu gabinete hoje a tarde em Sunderland como ato simbólico. A cidade industrial foi a primeira na apuração dos resultados de 2016 a confirmar seu apoio pelo Brexit.

Uma das capitais da indústria automobilística britânica, Sunderland é considerada um bastião do divórcio europeu.

Ironicamente também é uma das mais afetadas por ele até aqui — a montadora Nissan, que emprega cerca de 24 mil pessoas em sua cadeia produtiva na região, já reviu seus planos de investimentos por lá responsabilizando as incertezas do processo de separação.

O primeiro-ministro também vai se pronunciar na televisão e dizer que o amanhecer de uma nova era surge para os britânicos — e que este não é um final, mas um começo.

Na prática, no entanto, pouca coisa muda a partir do sábado (1º) porque agora começa o período de transição que vai durar até o final do ano, pelo menos. Neste período o Reino Unido vai continuar seguindo as regras da União Europeia.

O livre trânsito de pessoas também continua valendo, o que significa que os europeus ainda podem se mudar para cá e trabalhar normalmente e o mesmo vale para os britânicos que quiserem ir para o continente.

Mas, agora, o Reino Unido já está no portão de embarque para finalizar este processo todo — o Brexit não tem mais volta e agora o país precisa trabalhar para tirar o melhor proveito possível da situação.