Após decisão pela sua cassação, ex-prefeito de Sorocaba diz que irá recorrer contra “arbitrariedades”

  • Por Jovem Pan
  • 25/08/2017 10h34 - Atualizado em 25/08/2017 12h15
Em nota, o prefeito cassado repudiou a decisão da Câmara e garantiu que irá recorrer

Câmara de Sorocaba cassa prefeito José Caldini Crespo. Após mais de dez horas de sessão, por 14 votos a 6, os vereadores acolheram, em duas votações, o relatório da comissão processante pela quebra de decoro parlamentar e prevaricação.

A perda de mandato ocorre pela primeira vez em Sorocaba, município localizado a 100km de São Paulo e que possui mais de 700 mil habitantes.

Em oito meses, Crespo (DEM), ex-deputado por três mandatos na Assembleia Legislativa de São Paulo e ex-vereador da cidade de Sorocaba, se envolveu em diversas polêmicas. Ele já distribuiu coxinhas para funcionários em protesto, interrompeu funcionamento de creches para criar cargos de confiança, inventou uma assessora especial em Brasília, desafiou a Justiça ao tentar manter no cargo secretária de Saúde condenada por improbidade administrativa e caiu após agredir a vice-prefeita, Jaqueline Coutinho (PTB), que questionou a contratação da assessora direta Tathiane Regina pelo uso de diploma falso para assumir o cargo.

Logo após as votações, a vice Jaqueline Coutinho, delegada de Polícia aposentada, tomou posse na Câmara também como a primeira prefeita da história de Sorocaba, pregando o oposto de Crespo: entendimento e independência entre os poderes. “Assumindo a Prefeitura de forma legítima, diante da decisão soberana da Câmara Municipal. Decisão esta que é soberana porque efetivamente espelha a vontade do povo e não só isso. Cassação motiva única e tão somente por ele pelos atos que infringiram leis, princípios básicos da administração”, disse.

No discurso, ela ressaltou que muitas mulheres se identificaram com o constrangimento a que ela foi submetida.

Em nota, o prefeito cassado repudiou a decisão da Câmara e garantiu que irá recorrer. Além do recurso, segundo ele, as providências jurídicas serão tomadas “contra as arbitrariedades do presidente da Câmara”.

*Informações do repórter Marcelo Mattos