Após estudo, brasileiros sugerem restrição de certas ferramentas do WhatsApp durante eleição

  • Por Jovem Pan
  • 22/10/2018 07h56
EFE/Ritchie B. TongoOs especialistas realizaram um estudo, reunindo e analisando postagens de 347 grupos abertos ao público do dispositivo

O estrago do WhatsApp na eleição brasileira já foi feito feito, esta é a conclusão do professor de Gestão de Políticas Públicas da USP, Pablo Ortellado. Ele e mais duas especialistas do tema assinaram um artigo no New York Times abordando como as notícias falsas contaminaram a política brasileira por meio do aplicativo.

Os especialistas realizaram um estudo, reunindo e analisando postagens de 347 grupos abertos ao público do dispositivo. Dentre mais de 100 mil imagens políticas que circularam nesses grupos, eles selecionaram as 50 mais compartilhadas. E a conclusão foi: 56% dessas imagens compartilhadas eram falsas e apenas 8% foram consideradas realmente verdadeiras.

De acordo com o professor da USP, Pablo Ortellado, essa centralidade do WhatsApp nas eleições brasileiras é uma particularidade. O professor ressaltou que o aplicativo impede que alguém do espaço público vigie que mensagens maliciosas estão sendo difundidas.

Para evitar que notícias falsas sejam disseminadas na reta final da eleição, os especialistas sugerem três modificações que o WhatsApp poderia adotar imediatamente. Primeiro, restringir o número de vezes que uma mesma mensagem pode ser encaminhada; restringir também o número de pessoas das listas de transmissão. Hoje, qualquer usuário pode enviar uma mesma mensagem para até 256 contatos de uma vez só. Por fim, limitar o tamanho de novos grupos.

Após a divulgação do artigo, muitas pessoas classificaram as medidas sugeridas pelos especialistas como censura. No entanto, Pablo Ortellado afirmou que essas críticas são descabidas.

Antes da divulgação do artigo, os especialistas entraram em contato com o WhatsApp sugerindo as medidas que poderiam ajudar a minimizar a disseminação de notícias falsas por meio do aplicativo. Mas a empresa afirmou que não teria tempo suficiente para adotá-las.

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*Informações da repórter Natacha Mazzaro