Após nova derrota, Johnson muda estratégia para tentar antecipar eleições

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 29/10/2019 06h48
EFE/EPA/IAN LANGSDONOs trabalhistas, que são o principal partido da oposição, agora parecem um pouco mais dispostos a apoiar a antecipação das eleições gerais

O primeiro ministro britânico, Boris Johnson, vai tentar, mais uma vez, nesta terça-feira (29), antecipar as eleições gerais do Reino Unido. Nesta segunda-feira (28) o líder conservador sofreu sua terceira derrota nessa tentativa de convocar a população às urnas.

Essa é também uma tentativa de ampliar a maioria conservadora na Câmara dos Comuns para entregar o Brexit de uma vez por todas.

Na terceira tentativa derrotada, Boris Johnson não chegou nem perto dos 2/3 dos parlamentares necessários para aprovar esse convocação extraordinária. Agora, ele vai mudar de tática.

A forma técnica que o projeto vai ser apresentado na Câmara dos Comuns deve permitir que ele consiga aprovar a convocação das eleições apenas com a maioria simples – metade mais um dos parlamentares – e também deve trazer para o lado de Johnson alguns partidos da oposição.

Os nacionalistas escoceses e os liberais democratas parecem dispostos a apoiar o plano do governo, mas é claro que eles tem tentativas e estrategias bem diferentes para o período eleitoral. Eles pretendem fazer campanha contra o Brexit, trazendo a possibilidade de cancelar o divórcio europeu.

Os trabalhistas, que são o principal partido da oposição, agora parecem um pouco mais dispostos a apoiar a antecipação das eleições gerais. No caso do maior partido da oposição, a ideia é propor um referendo confirmatório. Ou seja, a população seria convocada para confirmar se o acordo de separação da União Europeia é o melhor para o país ou se, na verdade, o Reino Unido deveria continuar na UE.

Os conservadores, caso consigam a maioria na Câmara dos Comuns, farão o possível para entregar o Brexit nos próximos meses.  Na última segunda-feira (29), o primeiro-ministro Boris Johnson confirmou ter aceitado a prorrogação do prazo de desfiliação, que deveria acontecer na quinta-feira 31 de outubro, para o dia 31 de janeiro.

Desde que assumiu o poder, Johnson sempre disse que o Brexit seria entregue independente das negociações com a Europa e afirmava que não teria “nenhuma possibilidade” de adiar a data mais uma vez. Ele não conseguiu cumprir a promessa e terá que empurrar a história, pelo menos, até o ano que vem.