Após seis meses de Brumadinho, CPI de MG tenta auxiliar no reparo de danos, que ainda deve levar anos

  • Por Jovem Pan
  • 22/07/2019 08h13
Fernando Moreno/Estadão ConteúdoCPI vai observar ações realizadas em Mariana para pensar em reparação pós-Brumadinho

Há três dias de completar seis meses do desastre de Brumadinho, o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o caso na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado Gustado Valadares (PSDB-MG), disse que neste momento o processo de investigações vai se concentrar em encontrar um “modelo de reparação” para o local. Em entrevista ao Jornal da Manhã, ele disse que a CPI está fluindo bem, mas que serão necessários anos para que o impacto do rompimento da barragem da Vale seja resolvido.

“Na nossa CPI, decidimos que iríamos trabalhar em três fases, e agora estamos entrando na do modelo de reparação. Estamos tomando como base o que aconteceu em Mariana, em 2015, para fazer esse processo. Chamaremos a população, pessoas diretamente envolvidas, a própria Vale, a fundação Renova [que foi construída na época de Mariana ainda atua na região], tudo para tentar criar algo que funcione”, disse.

O deputado estadual explica que ainda há muitos problemas para serem resolvidos. “Temos problemas no Rio Paraopeba, que é muito importante no nosso estado e corta vários municípios – todos apresentando problemas. Nesse caso, também estamos negociando com a Vale, através de intermediação do Ministério Público e o Comitê pró-Brumadinho do Estado soluções para esses problemas, mas é algo que vai demorar anos para que impacto ambiental seja resolvido”.

Valadares ressalta, no entanto, que as comissões, reuniões e programas de reparação ajudam, mas que apenas esse processo não adianta. Ele acredita que é necessária uma mudança de pensamento tanto da população como da mineradora. “É preciso uma conscientização, por parte da população, de que foi realmente um crime, e que é necessário buscar um modelo de mineração mais sustentável e seguro. Também necessitamos que a empresa entenda que não se deve colocar lucro acima de tudo, que é preciso ter responsabilidade no trato do meio ambiente e das vidas humanas”, explicou.