Após suicídio, EUA vai arquivar caso Epstein, mas ouve vítimas de abuso sexual

  • Por Jovem Pan
  • 28/08/2019 07h38 - Atualizado em 28/08/2019 07h39
EFEMilionário cometeu suicídio na prisão onde aguardava julgamento

Quase 20 dias depois da morte de Jeffrey Epstein, 23 mulheres que afirmam ter sido vítimas do milionário prestaram depoimento em um tribunal de Nova York. O homem aguardava julgamento por abuso e tráfico sexual de menores quando cometeu suicídio dentro de uma cela no Centro Correcional Metropolitano.

Após o incidente, os promotores federais responsáveis solicitaram o arquivamento do caso, uma decisão que requer autorização de um juiz. Antes de acatar o pedido, o magistrado Richard Berman decidiu agendar uma audiência para que as vítimas tivessem a oportunidade de serem ouvidas. A maior parte das mulheres disse que, ao se matar, Epstein roubou delas o direito de Justiça.

Shawntae Davies relatou que foi chamada para fazer uma massagem no milionário, o que virou para um estupro. “Eu tentei me soltar, mas ele já estava tirando o meu shorts e colocando o corpo dele embaixo do meu. Eu procurava por palavras, mas tudo que eu consegui falar foi um fraco ‘não, por favor, pare’. Isso parecia excitá-lo mais. Ele continuou me estuprando e, quando terminou, entrou no banho. Eu coloquei a minha roupa e corri o mais rápido que pude de volta para casa, com os meus pés sangrando por causa das pedras.”

De acordo com as investigações, Epstein recrutava garotas que trabalhavam no resort Mar a Lago, pertencente a família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O estabelecimento fica em Palm Beach, na Flórida, estado que há onze anos considerou Epstein culpado pelos crimes de abuso e tráfico sexual de menores.

Uma das principais vozes nas acusações contra o milionário contou que foi recrutada no resort. Virgina Giuffre afirma que foi manipulada a ser escrava sexual de Epstein por vários anos.

Mesmo com a morte do abusador, a mulher disse que vai continuar lutando para que a Justiça seja feita.”Eu fui recrutada muito nova no Mar a Lago e presa em um mundo que eu não entendia. Eu venho lutando contra esse mesmo mundo até hoje e não vou parar, nunca serei silenciada até que essas pessoas sejam levadas à Justiça.”

Virginia afirmou que foi paga para ter relações sexuais com o príncipe Andrew, que nega as acusações. Ao ser questionada sobre o assunto, ela disse que Andrew sabe exatamente o que fez e espera que ele confesse o abuso.

As vítimas que foram ao Tribunal nesta terça-feira (27) fizeram um apelo para que o caso continue sendo investigado. A advogada de uma das acusadoras, Gloria Allred, disse que a morte de Epstein não acaba com a luta pela justiça. “A morte de Jeffrey Epstein, seja por suicídio ou assassinato, não conclui o caso. Não termina a luta delas por justiça. Não acaba com o sentimento de que elas foram manipuladas e vitimadas.”

Mesmo com o arquivamento do caso contra Epstein, os promotores federais garantiram que vão continuar investigando co-autores, abusadores e funcionários do milionário que facilitaram os crimes.

*Com informações da repórter Nanny Cox