Após tragédia em Brumadinho, centenas de famílias têm de aprender a lidar com o luto

  • Por Jovem Pan
  • 04/02/2019 08h02 - Atualizado em 04/02/2019 10h33
EFEMais de trezentas famílias foram afetadas diretamente pela tragédia

Dez dias depois do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, familiares de vítimas ainda esperam informações sobre os parentes. O mar de lama arrasou a região, levando casas e centenas de pessoas, entre moradores e funcionários da própria mineradora.

Mais de trezentas famílias foram afetadas diretamente pela tragédia. O número de mortos cresce e a esperança de encontrar sobreviventes diminui. É o caso de Tereza Ferreira Nascimento, que já não espera mais ver o irmão com vida.

Desde o rompimento, familiares se reúnem na Estação Conhecimento, em Brumadinho, em busca de apoio e informações. Ao longo dos dias, as horas demoravam para passar e informações desencontradas aumentavam o desespero dos parentes. Alguns se aventuraram no mar de lama, cavando em busca dos entes queridos.

Em meio à revolta e o descrédito, a Vale disponibilizou uma equipe de psicólogos para atender parentes de vítimas.

Em São Paulo, a reportagem conversou com uma especialista em perdas traumáticas para entender o processo de luto.

A dor de perder um parente se agrava em situações de desastres de grandes proporções, como o caso de Brumadinho. A psicóloga Ida Cardinalli, professora da PUC, afirmou que superar a perda pode ser ainda pior em casos de tragédia coletiva. Segundo ela, o trauma se agrava diante de um desastre que poderia ter sido evitado.

Missas e manifestações em memória das vítimas e por justiça têm ocorrido desde a semana passada. A psicóloga explicou que homenagens são instrumentos que ajudam na superação da dor. Ela afirmou ainda que rituais como velórios e missas de sétimo dia são fundamentais no processo de luto.

Pedro Ferreira dos Santos chegou a vasculhar em meio a lama em busca do irmão. A angústia dele de tantos outros familiares, no entanto, pode não ter fim.

*Informações das repórteres Victoria Abel e Marcella Lourenzetto