Aras deve ‘abraçar jogo político’ e atuar alinhado com Bolsonaro, critica senador

  • Por Jovem Pan
  • 13/09/2019 09h16
Divulgação/SenadoVieira disse que expectativas em relação a possível novo mandato não são das melhores

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), disse, nesta sexta-feira (13), que não tem grandes expectativas para o possível mandato de Augusto Aras na Procuradoria-Geral da República (PGR). Em entrevista ao Jornal da Manhã, ele revelou que Aras, escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), se comprometeu a atuar alinhado com o governo e que, por isso, não tem visão “sintonizada” com as dos parlamentares.

“Falamos da CPI [da Lava Toga, da qual Vieira é autor], ele [Aras] mencionou a importância do senado nessa perspectiva de transparência, mas é uma conversa que não muito futuro, porque a visão dele não está muito sintonizada com a nossa. Ele defende uma atuação do Ministério Público [MP] alinhada com o governo, onde o MP vai fazer parte da construção de politicas, o que nos parece totalmente estranho ao que se espera do Ministério Público Federal, que deve ser fiscal das políticas, não parceiro. então essa questão com o Aras não foi muito bem compreendida nem satisfatória”, afirmou.

Vieira contou, ainda, que as referências de outros procuradores sobre Aras não são as melhores “justamente por essa questão de uma vinculação e proximidade mais politica com os poderes, algo que ele já vem demonstrando nesse curto espaço de tempo” e classificou como “lamentável” a postura do futuro PGR.

Para ele, assim como o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, Aras “confunde sua atuação de chefe de um poder com a de agente político-partidário. Em vez de distanciamento do jogo politico, eles o abraçam, participando de cafés, jantares, reuniões reservadas e etc., com pessoas processadas pelo STF. Falta uma percepção mínima do decoro produzido por essas funções”, criticou.