Arthur Lira afirma que vai fazer campanha para reeleição de Bolsonaro

Na mesma ocasião, Doria admitiu poder abrir mão da candidatura em favor da união da terceira via e Moro reforçou sua posição nas pesquisas

  • Por Jovem Pan
  • 23/02/2022 07h30
Reprodução/Redes Sociais Arthur Lira e Jair Bolsonaro Foto do presidente Jair Bolsonaro ao lado de Arthur Lira publicada nas redes sociais no período em que Lira ainda era candidato à presidência da Câmara e recebia o apoio do Palácio do Planalto

Em conferência promovida pelo BTG Pactual, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que vai fazer campanha pela reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) por questão de ‘coerência partidária’. “O presidente do meu partido [Ciro Nogueira] é o ministro da Casa Civil. Hoje, ele está licenciado do partido. Eu sou o presidente da Câmara. Então, ele tem uma atribuição e eu tenho outra. Eu não interfiro nas decisões partidárias e ele não interfere nas decisões da presidência da Câmara. Era assim já na época de liderança do partido. Então, lógico que, por questão de coerência, eu não fujo, se eu tenho o presidente do meu partido como ministro da Casa Civil, se o meu partido é da base do governo, o deputado Arthur Lira, no Estado [de Alagoas], por coerência, deverá fazer campanha para o presidente Bolsonaro”, afirmou.

Sem citar questões específicas, Lira disse esperar que as coisas entrem nos eixos e que o governo realinhe. Arthur Lira disse também que o Congresso Nacional não deve aprovar as PECs que falam sobre a redução dos preços dos combustíveis. Para o presidente da Câmara, a solução são os projetos que tratam de uma alíquota única para o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e a cobrança pela quantidade do combustível. No mesmo evento, outros expoentes nacionais da política também discursaram, foi o caso do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro (Podemos).

Doria e Moro concordaram sobre a necessidade de fortalecimento da terceira via e reafirmaram parceria. Os dois fizeram críticas a Lula (PT) e a Bolsonaro. E classificaram o atual e o ex-presidente como extremistas. Doria também condenou a aliança de Geraldo Alckmin (sem partido) com Lula para as eleições de 2022: “Inevitavelmente, o ex-governador Geraldo Alckmin se ligou ao Marcio França. Eu não sou desrespeitoso ao governador, ele é um homem honesto, um homem decente, mas fez uma opção equivocada e está dando bis agora aceitando ser vice do Lula. Eu jamais aceitaria ser vice de um ladrão”.

Sobre a possibilidade de não concorrer à presidência, Doria disse que todos os candidatos devem continuar no pleito, mas não descartou uma mudança mais à frente. “Mas este é o caminho que pode ajudar a salvar o Brasil. Se nós, mais adiante, conseguirmos ter, com humildade, com diálogo com discernimento, que a soma desses partidos pode fortalecer a chamada terceira via, para que ela seja a melhor via, aí sim, vocês não vão ter o pesadelo de chegar no dia 2 de outubro com duas tristes opções, Lula e Bolsonaro”, disse Doria.

Já o pré-candidato pelo Podemos, Sergio Moro, destacou que está em terceiro lugar nas pesquisas e, por isso, não vê sentido em abdicar da corrida eleitoral. O ex-juiz disse ainda não haver muito tempo para reunião e que a terceira via já deveria estar unida. “Na minha opinião, nós já deveríamos estar unidos. Acho que é uma ilusão achar que a gente tem tanto tempo do mundo, porque os extremos têm máquinas de destruição das pessoas”, opinou. Moro defendeu as reformas e frisou o combate à corrupção. Ele ainda disse que pretende acabar com o foro privilegiado, o que inclui a figura do presidente da República.

*Com informações da repórter Camila Yunes