Assessor parlamentar e militares são presos em operação contra o tráfico de armas

  • Por Jovem Pan com Agência Brasil
  • 24/03/2018 09h06 - Atualizado em 24/03/2018 10h51
Raphael Alves/ TJAMOperação Shooter levou à prisão de 25 pessoas e à apreensão de armas de fogo, entre elas pistolas com calibres de uso restrito das forças armadas e policias

Militares da ativa e da reserva, do Exército e da Aeronáutica, foram presos nesta sexta-feira em uma operação contra o tráfico de armas no Distrito Federal. Ao todo, são 22 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão em seis regiões do DF.

Entre os presos, cinco são militares ou ex-militares. Um deles está na ativa, um é da reserva e 3 são ex-militares. As patentes dos presos não foram divulgadas.

A operação Shooter, mobilizou 180 policiais civis, além de um helicóptero para dar suporte à ação. Segundo a polícia, Mauro de Souza Ferreira, da reserva do Exército, é o chefe da associação criminosa que comercializava armas ilegais e munições.

O assessor parlamentar Robson Pereira, que trabalha com o deputado federal José Otávio Romano, do PP, também foi preso durante a operação.

Pereira é acusado de ter vendido uma arma sem registro ao líder da organização criminosa, Mauro de Souza Ferreira, um ex-militar que, segundo as investigações, atua como ponte entre colecionadores de armas e criminosos. Segundo a polícia, a arma foi negociada e vendida durante os 40 dias da operação.

Os pedidos de prisão são temporários e valem por cinco dias. Mas podem ser prorrogados.

Em entrevista coletiva nesta sexta, o diretor da Divisão de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Civil do Distrito Federal, Adriano Valente, informou que a Operação Shooter levou à prisão de 25 pessoas e à apreensão de armas de fogo, entre elas pistolas com calibres de uso restrito das forças armadas e policias.

“No decorrer das investigações, identificamos que essa organização criminosa é composta por três núcleos principais. Um núcleo de colecionadores de armas, um núcleo de militares (da reserva e da ativa) e um núcleo de criminosos com antecedentes criminais graves.”, disse Valente. Os núcleos de colecionadores e de militares, por terem acesso facilitado a armas de fogo, comercializavam armas para criminosos, explicou.

A operação foi motivada por uma denúncia anônima que alertou para a comercialização de fuzis pela organização, mas esse tipo de arma ainda não foi encontrada. Durante os 40 dias de investigação, os policiais identificaram a negociação de 40 armamentos e decidiram desarticular o grupo de atuação, “principalmente para tirar de circulação armas que podem vir a lesionar a população e serem usadas por criminosos”, disse Valente.

Armas

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão e prisão temporária, foram apreendidas armas de fogo, entre elas cinco pistolas, sendo algumas de calibre restrito ao uso das Forças Armadas e das forças policiais, como os calibres .40 e 9 milímetros. Também foi apreendido um revólver e um rifle Winchester calibre 44, além de munições.

As armas apreendidas serão submetidas à perícia para identificar a procedência delas, e a investigação continua tanto em relação aos possíveis membros dessa organização criminosa quanto ao armamento que fazem circular.

A organização atuava principalmente no Distrito Federal (DF), no Cruzeiro e no Riacho Fundo, e no Entorno Sul do DF, principalmente em Valparaíso e no Novo Gama.

Com informações do repórter Arthur Scotti e da Agência Brasil