Fala de Guedes na comissão especial da Previdência foi ‘inexperiência’, diz relator

  • Por Jovem Pan
  • 08/08/2019 09h26
Pablo Valadares/Câmara dos DeputadosMoreira disse que achou atitude de Guedes, de ir até a Câmara no dia da aprovação final da reforma, "interessante"

O deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), que foi relator da reforma da Previdência enquanto tramitava pela comissão especial da Câmara dos Deputados, comentou a ida do ministro da Economia, Paulo Guedes, à Casa para comemorar a aprovação do texto nesta quarta-feira (7).  Em entrevista ao Jornal da Manhã desta quinta-feira (8), ele disse que considerou a atitude “interessante” e que acredita que as críticas feitas pelo ministro ao seu parecer, na época, foram resultados de uma certa “inexperiência”.

Na época, Guedes disse que o parecer apresentado por Moreira tinha “abortado” a nova Previdência. “Eu sempre tive o juízo de que ele [Paulo Guedes] se precipitou demais. Não foi correto, não falou verdades naquele momento. Talvez ele não tenha experiência suficiente de um parlamento, de como acontece uma medida como essa, da intensidade”, comentou.

“Depois do episódio, eu já havia falado com ele, por telefone, após a aprovação em primeiro turno [da reforma], mas sempre tomei cuidado para não externalizar, publicamente, minha opinião sobre as atitudes dele naquele momento. Tínhamos que construir unidade, manter nosso foco de concluir a aprovação do texto base. Acho que Guedes reconheceu que a atitude dele não foi adequada e isso fez com que ele fosse lá nos cumprimentar, um gesto interessante da parte dele”, afirmou o parlamentar, acrescentando que, na verdade, o importante é “entregar resultado e preparar o terreno para as próximas pautas”, e não “protagonismo ou liderança”.

Próximos passos

Questionado sobre como acredita que deve ser a trajetória da proposta no Senado Federal, Moreira disse que, até o momento, não vê nenhuma alteração possível a ser feita pela Casa. Segundo ele, desde o início da tramitação da reforma na Câmara dos Deputados, ele já vinha mantendo um diálogo com o senadores sobre o texto, o que demonstra que as opiniões já estão alinhadas.

O deputado lembra, no entanto, que há uma forte vontade, no Senado, de reincluir os Estados e municípios na reforma. Apesar disso, ele acredita que isso não será feito e que, por “estratégia política”, deve ser enviada uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) separadamente para tratar do assunto.

“Separar é importante porque permite que o Senado já aprove esse texto, sem voltar para a Câmara, para que ele seja posto logo em prática. Além disso, caso o texto voltasse para a Câmara com os estados e municípios de novo, dificilmente passaria. Separadamente, a chance é maior”, afirma.