Órgãos não conferem ‘coisas básicas’ antes de comprar equipamentos da China, diz associação

  • Por Jovem Pan
  • 09/05/2020 11h00 - Atualizado em 09/05/2020 11h12
Roberto Casimiro/Estadão ConteúdoSem a devida investigação das empresas, autoridades podem acabar pagando preços abusivos

O superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo), Paulo Fraccaro, acredita que muitas autoridades, pela urgência na aquisição de equipamentos, estão comprando equipamentos da China sem conferir se os vendedores têm condições de entregar as demandas contratadas.

“Não se preocupam, muitas vezes, em identificar o fornecedor, ver se está dentro do mercado, ver a relação de clientes anteriores. São perguntas simples, não precisa ter licitação. Faça as perguntas e peça para comprovar as coisas básicas”, afirmou Paulo em entrevista ao Jornal da Manhã deste sábado (9).

O superintendente da Abimo contou que, até o momento, a associação não foi procurada para consultas sobre as compras. Por isso, sem a devida investigação das empresas,  autoridades de saúde podem acabar pagando preços abusivos nas contratações.

“Todos nós sabemos que a China só entrega com pagamento antecipado. Alguns fornecedores têm aproveitado disso e, muitas vezes, os órgãos acabam ficando na mãos sem receber nada.”

Paulo explicou que a dependência de equipamentos de saúde vindos da China aconteceu devido ao país, há muitos anos, ter se consolidado como o maior produtor de respiradores do mundo. Porém, com os crescentes casos da Covid-19 em território chinês e o fechamento das fábricas, houve escassez do produto – o que atingiu países como o Brasil.

“O Brasil fabricava 15 mil ventiladores, de repente, com a crise, as nossas necessidades pularam para 30 ou 40 mil. Não há país no mundo que consiga ter esse salto na produção”, explica Fraccaro, que avalia ser natural a elevação do preço pelo aumento da demanda dos equipamentos em todo o mundo.

Ao ser questionado sobre a influência da falta de destinação de recursos para a sobrecarga dos sistema de saúde durante a pandemia de coronavírus, ele avalia que “há muito tempo deixamos de investir na saúde como devíamos”.

Entretanto, acredita que, mesmo que tivéssemos feito todos os investimentos em saúde nos últimos 15 ou 20 anos, “não teríamos estruturas para atender o volume de pessoas que procuram os hospitais”.