Autoridades da UE ficam em silêncio sobre rompimento democrático na Venezuela

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 31/07/2017 09h29
Se a imprensa relata a agonia que a nação enfrenta, os governos europeus parecem não estar muito incomodados com a situação do outro lado do Atlântico

Há um silêncio ensurdecedor entre as autoridades da União Europeia sobre a situação caótica da Venezuela.

Os jornais do continente destacam nesta segunda-feira (31) o rompimento democrático causado pela votação no país sul-americano para formação de uma assembleia constituinte que não interessa à maioria da população.

A avaliação geral é a de que a Venezuela caminha a passos largos rumo a uma ditadura pretensamente validada pelo voto, ou por encenações como a eleição deste domingo.

Mas se a imprensa relata a agonia que a nação enfrenta, os governos europeus parecem não estar muito incomodados com a situação do outro lado do Atlântico.

De fato, a única reação com alguma relevância até agora veio da Espanha, que tem laços históricos mais próximos com o continente. O governo de Madri alertou ontem mesmo que não reconhecerá uma constituinte que não seja resultado de um amplo consenso nacional.

Os espanhóis tentam pressionar a União Europeia a dar uma resposta dura aos rompantes ditatoriais de Nicolas Maduro. Mas o bloco resiste. A indicação até aqui é de que nada será feito antes do fim do recesso de verão no parlamento europeu, que vai até setembro.

Os europeus também não pretendem adotar sanções econômicas contra a Venezuela. O mais provável é que as medidas restritivas sejam adotadas em relação ao presidente Nicolás Maduro e integrantes de seu governo.

França e Alemanha já retiraram seus embaixadores de Caracas por causa dos conflitos sangrentos que têm ocorrido na capital. No Reino Unido a decisão foi de manter o corpo diplomático no país, por enquanto.

A situação caótica na Venezuela também se tornou em um constrangimento para o líder da oposição na Inglaterra, o trabalhista Jeremy Corbyn, que se declara um admirador de Hugo Chávez e do chamado socialismo do século 21.

Corbyn apagou de seu site um texto em que elogiava a Venezuela e o combate à pobreza no país rejeitando enfaticamente as políticas neoliberais.

O problema é que o efeito colateral do chavismo talvez não compense os resultados deste combate à pobreza.