Auxílio emergencial alivia crise, mas avanço da pandemia pode agravar fome no Brasil

  • Por Jovem Pan
  • 30/04/2020 06h08 - Atualizado em 30/04/2020 08h04
EFEUm relatório do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU divulgado na quinta (29) criticou as políticas sociais do Brasil na pandemia

Cerca de 1,9 milhões de beneficiários do Bolsa Família recebem nesta quinta-feira (30) o auxílio de R$ 600 do governo federal. Também será liberada a primeira parcela para mais de 1,7 milhões de inscritos no aplicativo da Caixa e no site do programa.

Até agora, 50 milhões de pessoas receberam o dinheiro, mas muitos reclamam do atraso no pagamento. A Michele Oliveira fez o cadastro e ainda aguarda confirmação. Ela e o marido tinham uma barraca de pastel em Guarulhos, que agora está desmontada.

À espera de uma cesta básica prometida pela Prefeitura, a dispensa e geladeira estão quase vazias. Sem poder trabalhar, ela já não sabe como sustentar a família. Michele e outros 42 milhões de trabalhadores informais e autônomos viram a renda praticamente sumir na quarentena.

Segundo o diretor do FGV Social, Marcelo Neri, esses brasileiros são mais sensíveis à crise. Marcelo Neri considera positivo o auxílio de R$ 600, mas estima que 5 milhões de pessoas fora dos registros podem ficar sem qualquer ajuda.

O diretor do programa mundial de alimentos da ONU no Brasil, Daniel Balaban, teme um agravamento da fome entre os mais pobres. O gerente executivo da Fundação Abrinq, Victor Graça, lembra que, antes da quarentena, 9 milhões de crianças abaixo da linha da pobreza dependiam da merenda escolar no Brasil:

Um relatório do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU divulgado na quinta (29) criticou as políticas sociais do Brasil na pandemia. De acordo com o documento, as “medidas são mal orientadas e colocam vidas em risco”.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, classificou a avaliação como “absurda e errada”. Segundo Sachsida, o Brasil está gastando 4,1% do PIB no combate à covid-19, valor bem superior à média dos demais países emergentes.

*Com informações do repórter Afonso Marangoni