‘Nova CPMF não é a única e nem melhor opção’, diz idealizador da reforma tributária

  • Por Jovem Pan
  • 11/09/2019 09h46
Flickr/Agência SenadoBernard Appy é um dos idelizadores da reforma tributária apresentada por Baleia Rossi, que tramita da Câmara dos Deputados

Um dos idealizadores da reforma tributária que tramita na Câmara dos Deputados, o economista Bernard Appy avalia, em entrevista ao Jornal da Manhã, que uma “nova CPMF” não é a solução para compensar a desoneração da folha de pagamento.

“O Governo está colocando como a única alternativa a contribuição sobre pagamento, que no fundo é a velha CPMF com algumas pequenas mudanças. Eu acho que essa não é a única e nem a melhor opção. Existem outras opções como, por exemplo, corrigir distorções que existem hoje na tributação da renda.”, explica.

De acordo com ele, as alíquotas propostas pela equipe econômica do Governo para a nova CPMF não são suficientes. “É uma desoneração parcial da contribuição patronal. O Governo tem o discurso de que quem paga o imposto é a economia informal, mas no fundo não é verdade. Quem acaba pagando somos nós mesmos.”

Appy também lembra que as propostas de reforma tributária que tramitam no Congresso buscam “simplificar e corrigir” distorções no imposto sobre o consumo no Brasil. “O custo burocrático de pagar imposto no Brasil, hoje, é o mais alto do mundo. Com essas medidas propostas no Senado, esse custo burocrático reduziria enormemente e isso seria repassado para o preço do produto, fazendo o consumidor pagar menos mesmo com o Governo arrecadando igual.

O economista ressalta que apenas organizar o sistema tributário atual já ajudaria a reduzir a carga tributária. “Uma das consequências da reforma tributária é a transparência de quanto imposto as pessoas pagam para o consumo. O brasileiro sabe que paga muito, mas não sabe quanto. O sistema atual é muito complexo. A transparência ajuda a entender quanto o Governo está cobrando e porquê está cobrando aquilo.”