Bolsonaro se encontra com seis presidentes de partidos em busca de apoio à reforma

  • Por Jovem Pan
  • 05/04/2019 06h55 - Atualizado em 05/04/2019 10h09
Marcos Corrêa/PRAs lideranças se mostraram simpáticas à reforma, mas ninguém se comprometeu com apoio ou a integrar a base de sustentação do Governo

Presidentes de seis partidos foram recebidos pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (04) no Palácio do Planalto. A estratégia busca garantir no Congresso Nacional apoio à reforma da Previdência em um momento em que não está ainda bem definido qual o tamanho da chamada base aliada.

As lideranças se mostraram simpáticas à reforma, mas ninguém se comprometeu com apoio ou a integrar a base de sustentação do Governo.

O presidente do DEM, o prefeito de Salvador, ACM Neto, no entanto, admitiu que a legenda discute fechar questão em torno do assunto. Disse, no entanto, que ainda é cedo para que isso aconteça, uma vez que antes será preciso conhecer o texto que será levado ao plenário e ouvir também a executiva do partido. ACM Neto sinalizou ainda com a possibilidade do DEM aderir à chamada base aliada.

Já o presidente do PSD, Gilberto Kassab, elogiou a tentativa do presidente Jair Bolsonaro de ter uma maior aproximação com os partidos. Segundo ele, Bolsonaro pediu apoio e lembrou que a reforma é importante. Kassab, no entanto, sinalizou que apesar da boa vontade da legenda, não há como se comprometer com todos os pontos da proposta nesse momento.

O presidente do PSDB, o ex-governador Geraldo Alckmin, foi logo avisando que os tucanos não concordam com mudanças propostas no BPC que signifiquem benefícios abaixo do mínimo. Disse que o PSDB historicamente defende a necessidade da reforma, vai apoiar as medidas, mas não o Governo, uma vez que pretende manter a independência no Congresso.

Ao ser perguntado sobre as críticas do presidente Bolsonaro a chamada velha política, o ex-governador paulista afirmou que o que existe na verdade é a boa e a má política. Com relação às críticas feitas por Bolsonaro no ano passado de que o ex-governador teria se juntado durante a campanha à nata de tudo que não presta, Geraldo Alckmin desconversou e afirmou inclusive que Bolsonaro lhe disse votou nele no passado.

O presidente do MDB, Romero Jucá, que também foi criticado por Bolsonaro no ano passado, depois de encontro com o presidente afirmou que o partido não quer cargo, não busca ministério, não vai pedir nada. Disse que o partido busca apenas construir uma nova modelagem na relação política. E que essa modelagem passa pela agenda conjunta para garantir a aprovação de projetos.

O entendimento geral entre as lideranças partidárias é que o Governo precisa conversar mais. E os encontros mostraram, segundo os participantes, que o presidente deu um sinal positivo ao receber as lideranças, para ouvir e conversar.

Segundo os partidos, nesse momento em que a articulação política do Governo ainda patina, é necessário humildade e rapidez do Planalto para corrigir possíveis equívocos.

O presidente prometeu criar conselhos de Governo com a participação do Congresso para garantir uma maior aproximação entre o Executivo e Legislativo brasileiro. Nesta quinta, durante a live semanal, o presidente Jair Bolsonaro, rebateu alegações de que o Governo ofereceria cargos às legendas em troca de apoio no Congresso.

Na semana que vem, presidentes de mais cinco legendas deverão ser recebidos no Palácio do Planalto.

*Informações da repórter Luciana Verdolin