Boris Johnson conquista 364 cadeiras no parlamento

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 13/12/2019 08h27
EFEJohnson soube entender que a população não aguenta mais essa história e só falou de Brexit durante a campanha toda

Foi a vitória dos sonhos para o primeiro-ministro britânico Boris Johnson e o partido conservador. As pesquisas de opinião estavam corretas: os tories acabaram com mais de dez pontos percentuais à frente dos trabalhistas.

Mais que isso – o partido conquistou maioria confortável para entregar o Brexit no mês que vem e liderar o país no processo de adaptação que virá a seguir.

Boris Johnson terá 364 cadeiras no parlamento, enquanto os trabalhistas ficam com apenas 203. Ou seja, maioria de mais ou menos 80 assentos para o partido do primeiro-ministro – um dos melhores resultados das últimas décadas.

Dessa forma, Boris Johnson vai poder levar seu acordo com a União Europeia para votação na Câmara dos Comuns de novo ainda neste ano e a desfiliação tem tudo favorável para ocorrer até 31 de janeiro do ano que vem, encerrando assim de uma vez por todas esse debate.

Johnson soube entender que a população não aguenta mais essa história e só falou de Brexit durante a campanha toda. Fez bem, porque os trabalhistas titubearam e, sob a liderança desastrosa de Jeremy Corbyn, foram arrasados nas urnas.

Até mesmo assentos tradicionais da esquerda foram vencidos pelos conservadores. Ficou claro que, independente da orientação política, o Brexit é vontade da maioria da população e um segundo referendo é inaceitável.

Se há algo de positivo para a oposição britânica depois dessa votação humilhante é o fato de que agora Corbyn vai ter que cair. Ele mesmo já confirmou que não irá liderar o partido até as próximas eleições, embora o ideal fosse uma saída sumária da liderança.

Esta é a quarta derrota consecutiva dos trabalhistas no Reino Unido desde o fim da era Tony Blair. Corbyn tentou trazer o partido ainda mais para a esquerda, tentou fugir do Brexit na campanha e falar sobre temas sociais.

Deu muito errado porque o divórcio da União Europeia é um debate tão grande que não deixa espaço para mais nada.

Quem também lucrou com isso foi o partido nacionalista da Escócia, que teve votação quase que absoluta no país e conseguiu 48 cadeiras em Londres. Ocorre que o SNP é pró separação e pró União Europeia – logo as consequências disso para o futuro do reino ainda são incertas.

Já se fala muito em um novo referendo separatista, em atritos com os conservadores – mas a realidade é um pouco mais complexa. Qualquer consulta popular na Escócia sobre o tema precisa ser aprovada por Londres e dificilmente Boris Johnson irá permitir isso.

David Cameron já autorizou um referendo sobre o tema cinco anos atrás e o resultado foi pela permanência dos escoceses no Reino Unido.

As circunstâncias agora são outras, é verdade. Mas os britânicos estão desesperados para olhar para frente e seguir a vida. E é isso que deve ocorrer a partir de agora.