Boulos defende reforma política para “tirar as raposas do galinheiro”

  • Por Jovem Pan
  • 23/05/2018 10h31
João Henrique Moreira/Jovem PanPré-candidato à Presidência Guilherme Boulos participa de entrevista ao Jornal da Manhã da Jovem Pan nesta quarta-feira (23)

Em sabatina ao Jornal da Manhã da Jovem Pan, o pré-candidato do PSOL à Presidência Guilherme Boulos defendeu uma “reforma política profunda que tire as raposas do galinheiro” para combater a corrupção no Brasil.

Questionados sobre a corrupção nos governos do PT no caso do petrolão, Boulos citou casos do governo anterior, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), quando foi aprovada a emenda que permitiu a reeleição por suposta compra de votos do Congresso, e destacou a corrupção sistêmica na política do País.

“No sistema político brasileiro lamentavelmente há uma promiscuidade entre o público e privado. O grande poder econômico se apropriou do público, seja por corrupção, seja por privilégios. E por isso precisamos de uma reforma política profunda”, defendeu o pré-candidato.

“Quem financiou compra de votos para a reeleição no governo FHC em 1998?”, questionou.

“O sistema político brasileiro é um sistema que está marcado por uma estrutura de apropriação do público e privado. Combater a corrupção, a gente faz com uma reforma política profunda que tire as raposas do galinheiro”, afirmou Boulos.

Boulos citou ainda “Aécio (Neves, PSDB) solto e (presidente Michel) Temer (MDB) solto” e disse que “havendo, provas, a corrupção tem que ser punida, independente da coloração partidária”.

Lula

Para Boulos, “não há evidencias e provas no processo do Lula”, em que o ex-presidente petista foi condenado em duas instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro por suposto favorecimento à empreiteira OAS, que reformou o tríplex do Guarujá, que seria destinado a Lula.

O pré-candidato, que recebeu apoio de Lula em palanque no dia da prisão do ex-presidente, entende que o petista “foi preso com interesses claros de setores do Judiciário de retirá-lo do processo eleitoral do tapetão”. “A nossa defesa é do direito de Lula ser candidato como uma questão democrática”, declarou.

Boulos entende que “o Judiciário se veste de partido político”. “Juiz não pode fazer política, tem que cumprir seu papel de maneira isenta”, disse.

O pré-candidato do PSOL também foi questionado sobre outros petistas condenados por participação no esquema de desvios e corrupção na Petrobras, como os ex-ministros de Lula José Dirceu e Antonio Palocci.

“Eu conheci o processo do Lula, os outros processos eu não conheço (Dirceu e palocci)”, limitou-se a dizer o psolista.

Moro e Justiça

Ainda sobre corrupção, Boulos foi questionado se considera o juiz Sérgio Moro parcial em casos nos quais mandou prender membros de outros partidos, como o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB), o qual o pré-candidato chegou a chamar de “gângster” durante a entrevista.

“Cada caso tem que ser considerado segundo as provas”, disse Boulos, tergiversando para problemas mais estruturais da Justiça brasileira.

“O judiciário brasileiro nunca tratou todos de maneira igual e sempre colocou os mais pobres na cadeia, assim como o sistema judicial-policial”, disse o pré-candidato ao Planalto. “O Estado brasileiro nunca tratou de maneira isonômica e igual”, afirmou Boulos, defendendo “um Estado que sirva as maiorias sociais e não que sirva o 1%”.

“Se a justiça brasileira se desempenha a combater a corrupção é essencial”, disse. “Mas se o judiciário quer combater a corrupção, que comece limpando seu próprio quintal”, sustentou.

Boulos advogou pelo controle social do Judiciário.

Assista à entrevista completa de Guilherme Boulos ao Jornal da Manhã da Jovem Pan:

 https://www.youtube.com/watch?v=DCx8w4hqB5E