Brasil é vulnerável a fake news por conta de polarizações e uso massivo de redes sociais

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 10/01/2018 10h41
PixabaySó que o problema se alastrou de tal forma que é considerado um risco efetivo para as democracias ao redor do mundo que pode inclusive decidir eleições

A polarização política cada vez mais forte combinada com o uso pesado das redes sociais torna o Brasil um país muito vulnerável para as notícias falsas, que vão ser a praga deste ano de eleição presidencial.

Não é nenhuma novidade que a internet está tomada por informações falsas distribuídas intencionalmente para validar opiniões já formadas, mesmo que elas estejam bem equivocadas.

Só que o problema se alastrou de tal forma que é considerado um risco efetivo para as democracias ao redor do mundo que pode inclusive decidir eleições.

Uma reportagem publicada pela americana Bloomberg cita que o Brasil é terreno fértil para as fake news principalmente por causa de seu ambiente político cada vez mais extremado.

Qualquer absurdo publicado na internet em sites e páginas sem nenhuma procedência ganha validade para o leitor, que busca validação para a sua ideia de que fulano do partido A é bandido, ou que beltrano do partido B é corrupto.

A pesquisadora Claire Wardle, da Universidade de Harvard e que coordenou serviços de verificação de notícias nas eleições do ano passado no Reino Unido e na França, alerta que o caso do Brasil ainda é mais complicado por uma peculiaridade: o uso disseminado do WhatsApp. Algo que não é tão forte aqui na Inglaterra ou nos Estados Unidos, por exemplo.

É quase impossível rastrear informações falsas que circulam pelo serviço nem saber qual o impacto que elas tiveram, quantas pessoas alcançaram. As mensagens de áudio com supostos personagens relevantes revelando informações de bastidores, entre aspas é claro, são ainda mais complicadas.

O Facebook anunciou na semana passada que vai ter um chatbot, um robô de mensagens, produzido pela agência de verificação de notícias brasileira Aos Fatos para as eleições deste ano. É um começo importante. Mas está claro que o bom senso do eleitor é indispensável neste cenário.