Brasil precisará discutir capitalização dentro de 5 ou 6 anos, diz economista

  • Por Jovem Pan
  • 23/10/2019 09h44 - Atualizado em 23/10/2019 10h10
Luis Macêdo/Câmara dos DeputadosPaulo Tafner disse que sistema atual está condenado ao fracasso

O economista e pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP), Paulo Tafner, disse, nesta quarta-feira (23), que que o Brasil precisará discutir o sistema de capitalização dentro de alguns anos. Em entrevista ao Jornal da Manhã, ele elogiou a reforma da Previdência aprovada nesta terça-feira (22) no Senado Federal, mas afirmou que o sistema de repartição, no qual ela está inserida, está “condenado”.

“As mudanças na demografia brasileira condenaram nosso sistema de repartição, em que você contribui para pagar a Previdência de quem já está aposentado e torce – atualmente, reza – para que tenha gente trabalhando, quando chegar a sua vez de se aposentar, para você receber. O problema é que, em alguns anos, não teremos uma quantidade de jovens e adultos suficiente trabalhando para pagar o enorme volume de aposentados que o Brasil terá”, explicou.

Como exemplo, Tafner disse que, até os anos 2000, os dados demográficos do IBGE cotavam com pessoas de até “80 anos ou mais”, cenário que foi alterado, nos últimos anos, para “90 anos ou mais” e, provavelmente, na próxima revisão, chegará a “100 anos ou mais”. “O Brasil está passando por uma enorme transformação demográfica, que é uma vitória da sociedade brasileira, afinal estamos vivendo mais. O número de idosos com mais de 90 anos cresceu de forma assustadora e vai continuar”, afirmou.

Por isso, ele acredita que “daqui cinco ou seis anos vamos ter que rever isso [o sistema de repartição] e discutir seriamente a capitalização. O Brasil vai ter que discutir e implementar, pelo menos parcialmente, essa capitalização”, avaliou, acrescentando que a idade mínima de aposentadoria para categorias especiais, como policias, por exemplo, também precisará ser repensada. “Eles se aposentam com 55 anos mesmo após a reforma. É muito pouco.”

Proposta

O economista disse que uma solução para além da capitalização – proposta, inclusive, por ele -, é tornar o sistema flexível, para que não sejam necessárias reformas constantes. “O Japão, de forma inovadora, fez isso nos anos 1990. A idade de aposentadoria vai mudando automaticamente na medida em que os dados demográficos do país revelem que há maior expectativa de vida”, disse.

“Por exemplo: se estamos vivendo um ano há mais, precisa trabalhar seis meses mais antes de se aposentar. Dessa forma, automática, não teríamos sobressaltos como agora, que ficamos 50 sem modificar a idade e agora temos que dar um salto, fazendo com que os que estão perto de se aposentar se sintam lesados. Assim, você suaviza a mudança e não precisa de constante reforma ou debate político”, explicou.