Brexit: Pedidos para novo referendo ganham apoio do Partido Trabalhista

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 26/02/2019 09h45
EFEJeremy Corbyn, líder da oposição, confirmou, inclusive, que irá fazer campanha para a permanência do país no bloco

Os pedidos para a realização de um novo referendo sobre o Brexit ganharam um reforço de peso nesta segunda-feira (25). O partido trabalhista anunciou que vai apoiar a emenda que prevê uma nova consulta pública sobre o divórcio europeu.

Jeremy Corbyn, líder da oposição, confirmou, inclusive, que irá fazer campanha para a permanência do país no bloco.

A reviravolta está longe de ser confirmada, no entanto. Sozinhos, os trabalhistas não têm votos suficientes para aprovar o novo referendo.

Na verdade, muitos integrantes do partido nem sequer apoiam a decisão, tomada depois que um movimento de deserção em protesto contra a liderança de Corbyn foi iniciado.

Mas acontece que muita gente do lado conservador também apoia a nova votação, o que representa um dilema moral para os britânicos, além, é claro, de ser uma questão política.

Goste ou não do Brexit, uma decisão legítima foi tomada nas urnas em 2016, ainda que hoje esteja muito claro que o processo foi corrompido descaradamente por marqueteiros e o uso ilegal de big data, das fake news e, sobretudo, mentiras mesmo contadas por lideranças políticas.

Ainda assim, convocar uma nova votação sobre o mesmo tema, para muitos, significa uma tentativa de vencer no tapetão. E se o voto pela permanência na Europa for maioria dessa vez, haverá um referendo melhor de três para desempatar?

O contra-argumento mais comum sustenta que ninguém votou a favor de uma separação custe o que custar, e esse cenário vai se desenhando perigosamente.

Nesta segunda, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, sugeriu que a data do divórcio seja adiada para dar mais tempo às negociações. Mas o próprio Tusk confirmou que Theresa May não apoia a ideia e acha que é possível manter o prazo para 29 de março.

Percebam, entretanto, que o simples fato do país estar discutindo um adiamento do divórcio – ou até a realização de um novo referendo – a apenas um mês da data limite de separação é um indicativo claro de que o processo não está caminhando bem.