Após tragédia, Brumadinho vive ‘bolha de consumo’ e aumento populacional

  • Por Victoria Abel e Marcella Lourenzetto
  • 24/07/2019 07h19
Christyam de Lima/Estadão ConteúdoAlém da alta na movimentação do comércio, desde a tragédia, Brumadinho teve um aumento no número de vagas de emprego, principalmente nas empresas terceirizadas contratadas pela Vale para obras reconstrução, filtragem de água e remoção da lama pós-rompimento

Seis meses após o rompimento da barragem da Mina de Córrego do Feijão, no dia 25 de janeiro, a cidade de Brumadinho vive um reaquecimento do comércio e do mercado de trabalho. A notícia seria positiva, se não fosse a preocupação de autoridades e comerciantes da cidade que veem a aparente melhora na atividade como uma bolha de consumo, com prazo para estourar.

Um acordo firmado entre a mineradora, o Ministério Público e a Defensoria pública, determinou o pagamento mensal de um salário mínimo a todos os moradores adultos da cidade de janeiro até dezembro deste ano. Incentivados pelo recebimento das indenizações, os moradores passaram a consumir mais, inclusive bens duráveis como móveis e carros.

O prefeito de Brumadinho, Avimar de Melo, afirma que o ganho com impostos a curto prazo pode ser revertido para investimentos, mas se preocupa com uma possível crise fiscal a partir do ano que vem. “Até dezembro agora está todos com muito dinheiro. O comércio lotou. E depois de dezembro? A outra preocupação é dezembro do ano que vem, quando vai cessar os 4 milhões que a Vale pagaria de impostos todo mês. Se a Vale não operar o município ficará em um caos inexplicável.”

Além da alta na movimentação do comércio, desde a tragédia, Brumadinho teve um aumento no número de vagas de emprego, principalmente nas empresas terceirizadas contratadas pela Vale para obras reconstrução, filtragem de água e remoção da lama pós-rompimento.

De janeiro a julho deste ano, quase 900 postos de trabalho foram criados no município, número quase quatro vezes maior quando comparado ao mesmo período do ano passado.

A coordenadora do Sistema Nacional de Empregos de Brumadinho, Ieda Schmaltz, afirma que boa parte das vagas tem sido ocupadas por trabalhadores de outros estados. “A gente percebe que no SINE, recebemos mais essas de fora. De outros estados, principalmente do Nordeste”

O operador de escavadeira Edimilson da Silva Souza veio de Pernambuco para trabalhar no recolhimento de terra das áreas de busca. “O que me incentivou foi a demanda de trabalho e oportunidade na cidade”

Segundo a prefeitura, desde a tragédia a população de Brumadinho aumentou em 10%. Para o prefeito Avimar de Melo, no entanto, o esvaziamento da cidade é certo. “É preocupante porque é a curto prazo, essas empresas vão ficar aqui de 6 meses a um ano no máximo.”

Para arrecadar de recursos a curto prazo, o município de Brumadinho ainda estuda recuperar recursos a fundo perdido de investidores estrangeiros.