Campanhas de doação tentam minimizar impactos do Covid; confira

  • Por Jovem Pan
  • 04/04/2020 09h52 - Atualizado em 04/04/2020 09h54
LUMI ZUNICA/AE/AEEm favelas e comunidades mais humildes, é o senso comunitário que fala mais alto em tempos de pandemia

As agitadas ruas das maiores favelas do Brasil também têm ficado mais silenciosas à medida em que mais pessoas ficam em casa, seguindo a recomendação das autoridades de saúde para evitar a transmissão do coronavírus.

Nesses locais, onde a urbanização não chegou como deveria, com falta de saneamento básico e acesso à água potável, é o senso comunitário que fala mais alto em tempos de pandemia.

Diante da ausência de ações mais efetivas do Estado, moradores das comunidades, entidades e empresas se uniram para combater o vírus.

A campanha XÔ,CORONA!, por exemplo, realizada pela Lello Condomínios, em parceria com a Central Única das Favelas (Cufa), está levando produtos de limpeza para comunidades em todo o país.

Heliópolis, a maior favela da cidade de São Paulo, já recebeu pelo menos 6 mil litros de material de limpeza, como água sanitária e sabão líquido, e 1.800 produtos de higiene.

Além das doações, a Lello vai divulgar a campanha para os moradores de todos os 3 mil condomínios que administra, impactando 1 milhão de pessoas no total. Segundo a Gerente de Relacionamento com o Cliente, Angélica Arbex, qualquer ajuda pode fazer a diferença neste momento.

“O coronavírus não precisa ser uma bomba relógio para as favelas. É necessário olhar para o lado e perceber que tem gente que não pode fazer as mesmas coisas que você. R$ 10 já ajuda. O objetivo principal é fazer com que todo mundo tenha condições de fazer um isolamento seguro e uma higiene adequada”, explica.

A campanha “Juntos Na Luta Contra o Coronavírus”, realizada por voluntários da Sociedade Beneficente Israelita Albert Einstein, também pretende minimizar os impactos da Covid-19 para pessoas em situação de vulnerabilidade. A intenção é arrecadar 300 mil reais para a compra de cestas básicas e 50 mil kits de higiene.

Segundo a presidente do Voluntariado Einstein, Telma Sobohl, a ação vai beneficiar famílias de comunidades das regiões de Campo Limpo e Vila Andrade, em São Paulo. “Resolvemos ajudá-las, pensando primeiramente na aquisição de 50 mil kits de higiene para essas famílias, que muitas vezes não tem nem sabonetes, escovas de dentes, pastas de dentes”, diz.

De acordo com a pesquisa “Coronavírus – Mães da Favela”, realizada pelo Data Favela e pelo Instituto Locomotiva, nove em cada dez mães terá dificuldade para comprar comida após apenas um mês sem renda.

A presidente da CUFA, Giovana Borges, afirma que, além dos alimentos, outros itens também são importantes no cotidiano dessas mulheres. “A gente entende que quem sofre mais com esse momentos que estamos vivendo são as mães das favelas. Elas vão receber um ‘voucher’ de R$ 120, para comprar um gás, um remédio. Elas tem as doações, mas ainda falta para isso.”

Pensando nesse cenário, o movimento “UniãoSP Contra o Coronavírus”, organizado em conjunto com o Governo do Estado, prefeituras e entidades, está captando recursos que serão destinados às comunidades vulneráveis em São Paulo.

Para o empresário Abílio Diniz, um dos realizadores do projeto, o objetivo é atender 300 mil famílias distribuindo cestas básicas. “Estamos empenhados em ajudar as comunidades vulneráveis que precisam mais, tentando minimizar o sofrimento nesse momento de dificuldade. Pensando que a solidariedade vai se expandir e que quando isso passar esses sentimentos serão maiores e o mundo um lugar melhor”, afirma.

E as ações de solidariedade para conter a proliferação do Coronavírus já se espalham por todo o Brasil. A campanha “Por Uma Quarentena Mais Justa” pretende atingir comunidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Paraná e Pernambuco.

O projeto voluntário, realizado pela ONG TETO Brasil, vai distribuir galões de água, cestas básicas e kits de higiene a cerca de 10 mil famílias.

* Com informações da repórter Letícia Santini