Casos de câncer apontam tendência de alta apesar de esforços do Governo e entidades

  • Por Jovem Pan
  • 02/10/2017 07h21
ReproduçãoNo SUS, um paciente espera em média 4 meses para começar o tratamento de radioterapia. Só para comparar, no Canadá, o prazo não passa de seis dias

A segunda doença que mais mata no Brasil aponta tendência de alta apesar dos esforços do Governo e de entidades em frear o avanço do câncer no País.

A conclusão do recém lançado panorama da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa não é difícil de ser justificada.

A população está envelhecendo, a prevenção de novos casos – que inclui hábitos de vida mais saudáveis e diagnóstico precoce da doença – não é exatamente um case de sucesso por aqui, e o investimento em tratamento ainda é caro e insuficiente.

E há, claro, o abismo entre o tratamento oferecido no sistema público e no privado.

A velejadora Efriede Galera notou bem a diferença, porque até os 50 anos teve plano de saúde. E na hora de retomar os exames de rotina no SUS, ainda sentia algo errado em uma das mamas: “quando o médico falou que eu precisava de pia com louça para lavar, eu fiquei muito brava”.

A demora para o início do tratamento contribuiu para que hoje Efriede conviva com a metástase. Ou seja, a evolução do câncer para outros lugares do corpo.

O que afasta as chances de cura da velejadora, que ainda sonha em percorrer a costa brasileira até chegar ao Caribe com o barco que construiu.

No SUS, um paciente espera em média 4 meses para começar o tratamento de radioterapia. Só para comparar, no Canadá, o prazo não passa de seis dias.

O diretor do Instituto Vencer o Câncer, Dr. Fernando Maluf, ressaltou que cada minuto conta: “existe a lei dos 60 dias. O grande problema é que 60 dias, dependendo da situação, é muito tempo”.

A legislação é de 2013, mas só seria cumprida se as autoridades brasileiras se submetessem ao atendimento público, avaliou o ex-ministro da Saúde, José Gomes Temporão: “qual o tempo médio do início de tratamento para câncer de deputado, senador, juiz? A ele se aplica essa regra? Evidente que não”.

Ao mesmo tempo, a ciência avança e caminha para a personalização do tratamento.

Porque existem mais de 200 tipos diferentes de câncer, que podem se desenvolver em qualquer parte do corpo. E cada organismo responde a um tratamento de maneira particular.

Por isso tem se falado tanto das terapias alvo moleculares e nas imunoterapias, que têm prolongado a vida de pacientes. A maioria muito cara e fora da cobertura do SUS, e até de muitos planos particulares.

O usa dessas drogas em tratamentos de câncer de pulmão , segundo Dr. Pedro de Marchi, oncologista do Hospital do Câncer de Barretos, fez expectativa de sobrevida passar de 8 meses para três anos e meio.

O câncer está evoluindo para um patamar de uma doença crônica, como o HIV: “apesar da incidência de câncer vir aumentando, a mortalidade por câncer vem paulatinamente sendo reduzida, isso mais uma vez demonstra que temos conseguido controlar melhor a doença”.

O Outubro Rosa, que começou neste domingo, é celebrado desde a década de 90 para estimular a participação da população no controle do câncer de mama, o tumor mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil.

Confira a reportagem completa de Carolina Ercolin: