Ciclofaixa na zona sul de São Paulo espanta clientes de comércio local

Instalação de ciclofaixas está atrapalhando comerciantes da Vila Mariana; motoristas temem acidentes no local

  • Por Jovem Pan
  • 04/05/2022 12h26 - Atualizado em 17/05/2022 11h30
MARIVALDO OLIVEIRA/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO ciclofaixa A cidade de São Paulo é cercada de 667 km de ciclovias e ciclofaixas que cruzam as avenidas, ruas e bairros da cidade

Um problema que tem dado dor de cabeça para os comerciantes da Vila Mariana, bairro da Zona Sul de São Paulo, é uma ciclofaixa que roubou muitas faixas e muitos clientes. Quem tem loja na rua Luis Gois está passando por problemas, uma vez que a ciclofaixa instalada fez com que os clientes fugissem da área. As vagas de zona azul são pouquíssimas e quase nunca estão disponíveis. A analista de marketing Isabela Veríssimo diz que “s clientes não conseguem estacionar na região porque tem menos vagas e os clientes às vezes nem percebem que elas existem porque ficam depois da ciclofaixa”. “Prejudica muito a gente. Os clientes ficam bravos com os negócios, e nem é nossa culpa de não poder estacionar para poder fazer a compra com calma”, disse a analista, que também afirmou que os estacionamentos pagos da região não são baratos.

Quem passa por lá de carro enfrenta o mesmo problema e até desiste de tentar parar para ver alguma coisa no supermercado. A alternativa é sempre pagar para poder estacionar na rua, o que tem tirado os motoristas do sério. “Antes não tinha confusão. Depois que fizeram essa ciclofaixa e essas faixas para parar aqui, olha o tamanho que ficou a rua. Ela não é contínua. […] Ou deixa a ciclofaixa ou tira esses estacionamentos daqui. É absurdo”, disse um motorista. “Isso aqui é uma vergonha. É feito por um gênio do DSV. Tem que ser retirado. Criou uma confusão muito grande. Aqui já teve discussão, vai ter briga, vai ter crime”, disse outro.

A cidade de São Paulo é cercada de 667 km de ciclovias e ciclofaixas que cruzam as avenidas, ruas e bairros da cidade. O mestre de engenharia de tráfego Sérgio Eijznberg acredita em pontos positivos para a mobilidade urbana, mas pontua também o desordenamento das implantações. “A gente tem que pensar uma bicicleta como um modo de transporte que atende uma parte da demanda, que não vai resolver o problema e é parte da mobilidade humana. A mobilidade da bicicleta se faz um pouco em ciclovias, um pouco em ciclofaixas e um pouco em ciclo rotas. O certo é tratar as avenidas com um conceito bom, porque junta a bicicleta, com os ônibus e os pedestres”, diz Sérgio. Outros bairros estão tendo que lidar com o mesmo problema da falta ordenação de faixas.Uma das saídas sugeridas pelo especialista é de alinhar ciclo rotas. “É preciso fazer um modelo de casamento do corredor de ônibus, com a ciclovia, com o tratamento e pedestre, o que libera a avenida para os demais usos. E fora da avenida, onde não há o canteiro central, onde não é o caso de uma ciclofaixa, pensar com carinho na ciclo rota, que pode ser muito melhor”, conclui o especialista.

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*Com informações do repórter Vinícius Rangel