Cientistas correm contra o tempo em busca por tratamento da covid-19

  • Por Jovem Pan
  • 20/04/2020 07h07 - Atualizado em 20/04/2020 08h08
Agência BrasilOutra aposta é o uso do sangue de pacientes curados em pessoas que estão enfrentando a doença

O Brasil e o mundo seguem na corrida em busca de um tratamento contra o novo coronavírus. São muitos medicamentos que estão sendo testados em hospitais e laboratórios.

O uso destas drogas não é consenso entre a comunidade médica, mas um ponto em comum é que testes com remédios já existentes permitem uma resposta mais rápida do que partir “do zero”.

A médica Viviane Cordeiro Veiga, coordenadora de UTl do Beneficência Portuguesa de São Paulo, integra a Coalizão Covid Brasil, que estuda alternativas de tratamentos contra o coronavírus.

A médica diz que são necessários mais estudos. Ela explica que pesquisas estão sendo feitas, mas que a ciência tem o seu tempo. O medicamento que ficou mais conhecido é a hidroxicloroquina.

Originalmente usada contra a malária, a artrite reumatoide e o lupus, a droga tem sido prescrita por médicos para diferentes estágios da covid-19.

Inclusive, por causa do anúncio dos estudos, houve uma corrida às farmácias em busca do medicamento, e a Anvisa determinou que ele só seja vendido com receita médica. A principal preocupação é com os efeitos colaterais da droga.

A hidroxicloroquina tem sido usada, na maioria das vezes, associada ao antibiótico azitromicina, e os resultados têm sido considerados por alguns como “promissores”, e por outros, “inconclusivos”.

Corticóides também são apostas. Hospitais de ponta em São Paulo, por exemplo, estão usando a dexametasona em internados em UTIs.

Os médicos estão avaliando a efetividade do medicamento em pacientes com insuficiência respiratória grave, que necessitam de suporte de ventilador mecânico para respirar.

Na semana passada, o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, anunciou que o governo está otimista com um remédio que, segundo ele, mostrou 94% de eficácia em testes de laboratório.

O ministro não anunciou o nome do medicamento, mas descobriu-se que se trata do vermífugo nitazoxanida, conhecido comercialmente como Annita. Nas próximas semanas, 500 pacientes devem receber o fármaco, e a expectativa de Marcos Pontes é que o resultado dos testes seja divulgado até a metade de maio.

Estudos publicados na China apontam que a droga se mostrou menos efetiva e mais tóxica do que outras alternativas. Em testes preliminares, antivirais têm apresentados resultados promissores.

Em site de notícias médicas publicou que quase 100% dos pacientes com covid-19 medicados com remdesivir tiveram alta após uma semana de tratamento. O estudo foi feito pela Universidade de Chicago com apenas 125 doentes. Lopinavir e ritonavir também estão sendo testados.

Outra aposta é o uso do sangue de pacientes curados em pessoas que estão enfrentando a doença. A técnica retira o plasma sanguíneo, no qual estão os anticorpos produzidos pelo organismo para combater o vírus, segundo o hematologista do Beneficência Portuguesa de São Paulo, Breno Gusmão.

Além destas alternativas, outras também estão sendo estudadas, mas nada ainda conclusivo. Assim, o mais recomendado é que as pessoas se previnam de contrair a doença.

Para isto, bastam medidas simples, como lavar as mãos com água e sabão, usar álcool em gel e máscaras, além de manter o distanciamento social.

*Com informações do repórter Afonso Marangoni