Cinco meses após tragédia, CPI sobre Brumadinho na Câmara entra em nova fase

  • Por Jovem Pan
  • 24/06/2019 07h31
EFEFuncionários relatam que engenheira sabia do risco de rompimento

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Brumadinho na Câmara dos Deputados está na fase final. Na última semana, a comissão ouviu o depoimento de funcionários da Vale que trabalhavam perto da barragem.

Fernando Henrique Barbosa, que trabalha há 18 anos na mineradora, disse que o pai dele, que também trabalhava na empresa, tinha sido convocado por uma engenheira para ajudar a corrigir problemas estruturais na barragem, indicando que ela já sabia dos riscos de rompimento.

Infelizmente, o pai de Fernando morreu no desastre. “Estava saindo de casa e meu pai falou comigo. ‘Fernando, fica na parte mais alta, que aqui a barragem está igual a bomba. Está condenado, ela vai estourar a qualquer hora, qualquer barulho você corre sentido 14B – onde há um prédio’. Eu mesmo não levei muito a sério não, sabe, ‘isso aqui não estoura’, pensava Mas meu pai tinha conhecimento”, contou o funcionário.

“Ainda falei ‘pai, você não falou nada com os engenheiros? Ele disse ‘falei, filho, mas se comunicar, vai ter que parar todas as obras, tem que tirar o pessoal que isso aqui vai estourar agora, daqui um mês, dois… Não fica beirando aquele lugar, não, que vai estourar'”, continuou Fernando.

A engenheira chegou a ser presa provisoriamente em fevereiro e, em maio, prestou esclarecimentos na CPI. Na data, ela disse que não existia nenhum sinal iminente de desastre.

O presidente da CPI, Julio Delgado, explica que a comissão defende sete proposições. Entre elas, está a ideia da criação e a tipificação, ou seja, a definição como crime, do ecocídio. “É a tipificação do crime daquele que atinge a fauna, a flora, bacias hidrográficas, podendo trazer até vítimas fatais. Independente do homicídio que possa responder, responderá, também, por uma nova tipificação, pela responsabilização da depredação do nosso meio ambiente.”

Para concluir a CPI, os deputados também aguardam informações como os sigilos dos responsáveis pelos laudos periciais que atestavam a segurança da barragem de Brumadinho, e devem convocar outras pessoas para prestar depoimentos na comissão.

*Com informações da repórter Mariana Janjácomo