Com ‘acordão’, CPI da Covid-19 acabará em pizza para alguns, diz Eduardo Girão

Candidato à presidência da comissão, senador critica ‘palanque político’ e diz que quer ouvir os ex-ministros Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello para investigar se houve omissão do governo no enfrentamento à pandemia

  • Por Jovem Pan
  • 19/04/2021 08h31 - Atualizado em 19/04/2021 09h51
Pedro França/Agência SenadoEduardo Girão defende que a CPI deve investigar a União, mas também os "centenas de bilhões de reais" enviados pelo governo federal a Estados e municípios

A instalação da CPI da Covid-19 no Senado Federal está prevista para acontecer na próxima quinta-feira, 22, com a votação para a indicação do presidente do colegiado e do relator, tema que causa divergências e muitos debates entre parlamentares, que questionam o possível andamento enviesado das apurações. Para o senador Eduardo Girão (Podemos), candidato ao comando do colegiado, a investigação deve ser conduzida de forma justa e imparcial para acabar em “pizza”. “O povo não quer palanque politico eleitoral para 2022. Aliás, isso seria uma covardia, um desrespeito com a dor das pessoas. A CPI precisa ser técnica, essa CPI precisa ser muito técnica, e que possa buscar toda verdade e não apenas a verdade. Da forma que está sendo conduzido esse acordão, acredito que está tendo movimentação do povo reagindo contra isso, vai acabar em pizza para alguns, é frustração grande”, disse, sem citar nome dos parlamentares que fariam parte desse acordo, que pode viabilizar a escolha de Omar Aziz para a presidência da comissão e de Renan Calheiros para o cargo de relator.

Eduardo Girão defende que a CPI deve investigar a União, mas também os “centenas de bilhões de reais” enviados pelo governo federal a Estados e municípios para o enfrentamento da crise sanitária. “CPI como essa que deveria ser ampla, justa e independente, deve buscar se aprofundar nos fatos, avaliar se houve omissão, dolo com relação ao enfrentamento da pandemia. Isso que a gente quer, quer chamar ministro da Saúde desde o começo, ouvir Mandetta,  Teich, Pazuello“, afirmou, lembrando que o papel do colegiado deve ser avaliar os fatos, sem blindar ou pré-julgar os possíveis investigados. “A gente tem que investigar tudo, não pode blindar ninguém, nem pré-julgar. Mas colegas da comissão já estão dizendo quem é o culpado”, disse. “O que não podemos diminuir, a sociedade está cobrando, é que pegue um pra cristo, isso não é correto”, completou. Segundo o senador, os parlamentares estão discutindo como se dará a instalação da comissão, avaliando o funcionamento presencial ou, até mesmo, híbrido. “O mais importante é que atenda as expectativas, os anseios da população, que está mobilizada e querendo que seja uma CPI para valer, não blindagem de certas pessoas da República.”