Com covid-19, estado de saúde de Boris Johnson não está claro para a população
As incertezas trazidas pela pandemia de coronavírus agora também afetam a política do Reino Unido. E não é por causa de incompetência ou trapalhada do líder do país.
O primeiro-ministro britânico passou mais uma noite internado em um hospital de Londres e seu quadro de saúde não está exatamente claro para a população. Até segunda (6) de manhã os integrantes do governo afirmavam que Boris Johnson estava passando por uma internação rápida e seguia no comando.
À noite, no entanto, foi noticiado que o líder conservador havia piorado e que por isso acabou sendo levado para a UTI do St Thomas Hospital. Este é um dos mais renomados hospitais do país, faz parte da rede pública e atende a população em geral.
Johnson foi diagnosticado com coronavírus há mais de dez dias e esta é considerada uma fase crítica da doença para quem não se recupera antes. É neste período que o sistema imunológico pode começar a entrar em colapso e outros órgãos além dos pulmões são afetados.
Apesar disso, um integrante renomado do governo, Michael Gove, afirmou na BBC que Johnson não está usando ventilador para respirar. Uma fonte do jornal The Times confirmou que o primeiro-ministro não foi entubado e que utilizou quatro litros de oxigênio na UTI até agora.
Ainda segundo o jornal, na média um paciente em cuidados intensivos consome 15 litros — o que indicaria que o quadro do conservador não é tão crítico. Mas isso é apenas uma especulação. Poucos detalhes foram detalhados oficialmente até agora e o gabinete de Johnson, assim como o país, parece ter sido pego de surpresa.
No Reino Unido não existe o cargo formal de vice-primeiro-ministro, mas o posto é ocupado na prática pelo secretário do exterior. Logo, as funções de liderança caíram nas mãos de Dominic Raab, um político relativamente novo e com pouca experiência política no governo.
Raab tem 46 anos de idade, é advogado e casado com uma brasileira, Erika Ray, com quem tem dois filhos. O ministro ganhou protagonismo durante o processo do Brexit — ele é um apoiador de primeira hora do divórcio europeu.
Em sua primeira entrevista coletiva desde que Boris foi internado, Raab demonstrou certa nervosismo e insegurança. Algo compreensível dada a peculiaridade do momento que, mais uma vez, parece ter pegado a todos de surpresa.
Embora esteja exercendo as funções de liderança na ausência do primeiro-ministro, Raab não deve tomar decisões relevantes sozinho. Temas como segurança nacional, coordenação das ações de combate ao coronavírus e, sobretudo, as medidas de distanciamento social, devem ser debatidos em conjunto com outros integrantes do gabinete conservador.
Até agora ninguém sabe quanto tempo Boris Johnson vai se ausentar do número 10 de Downing Street. Dada a gravidade da situação de modo geral, esta é mais uma fonte de ansiedade para o povo britânico.
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