Com fantasma do Brexit, União Europeia escolhe nova liderança

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 29/05/2019 08h46 - Atualizado em 29/05/2019 08h48
EFEA chanceler alemã, Angela Merkel, quer colocar outro conservador na liderança da União Europeia

A União Europeia iniciou o processo de escolha dos novos ocupantes de seus cargos de liderança e as discussões já refletem as mudanças nos cenário político local.

As eleições da semana passada mostraram que a ameaça populista ainda não é tão grave quanto se imaginava.

E, no geral, consolidaram movimentos políticos à favor do bloco, mostrando que por enquanto o Reino Unido é um caso separatista isolado.

Donald Tusk, chefe do conselho europeu, chegou a dizer ontem que o Brexit serviu como uma vacina para o resto do continente.

E até por isso a União Europeia, que entre nós é uma das grandes responsáveis pela queda de Theresa May, não deve renegociar nada com a pessoa que venha a ocupar o número 10 de Downing Street.

Mas ainda assim ficou o alerta para os europeus de que não dá para seguir jogando com as mesmas cartas.

O primeiro cargo a ser definido é o de presidente da comissão europeia, hoje ocupado por Jean-Claude Junker, representante da centro-direita que perdeu bastante espaço na última eleição.

A chanceler alemã, Angela Merkel, quer colocar outro conservador de características semelhantes no lugar, o também alemão Manfred Weber.

Mas o representante do outro sócio-fundador em questão, o presidente francês Emmanuel Macron, já deixou claro que pensa diferente.

Para ele, o líder do braço executivo da União Europeia precisa ser alguém carismático, criativo e competente.

Nas entrelinhas, Macron está dizendo que chega dos mesmos burocratas de sempre que no mais afastaram a percepção positiva que o bloco tinha na maioria das populações.

Hoje o poder político na Europa está fragmentado e o Brexit foi um alerta grave de que o grupo pode ruir a qualquer momento se não se renovar.

O populismo pode não ter arruinado o projeto europeu agora, mas segue vivo e forte em países politicamente relevantes como Itália, Hungria e Polônia.