Com tudo o que vem acontecendo, é quase um milagre que cúpula aconteça, diz especialista

  • Por Jovem Pan
  • 02/06/2018 09h51
EFE/ Shawn Thew"Nós sentimos o jeito Trump de negociar. Ele bate forte no começo e depois vai cedendo. Agora, é ver se os dois lados vão conseguir atingir seus objetivos", apontou Marcos Troyjo

Na noite da última sexta-feira (1°), o presidente norte-americano Donald Trump confirmou que a histórica cúpula entre EUA e Coreia do Norte, que o colocará frente a frente com o presidente norte-coreano Kim Jong-Un, acontecerá no próximo dia 12 de junho em Cingapura, apesar de todas as indicações de que o encontro estava “por um fio”, devido aos diversos atritos entre as partes.

“O encontro vai acontecer no dia 12 de junho, que é o dia dos namorados aqui no Brasil. Então, é torcer para que o amor também envolva essa cúpula. Se pensarmos em tudo o que vem ocorrendo, com a aceleração dos testes nucleares por parte da Coreia do Norte, a retórica agressiva de ambas as partes, é quase que um milagre essa aproximação”, apontou o professor Marcos Troyjo, em entrevista exclusiva à Jovem Pan.

Para ele, o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-In, teve papel fundamental nas negociações, agindo como um representante de paz. A aproximação das Coreias, que até participaram unidas da última edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, realizados na cidade norte-coreana de Pyeongchang, também foi fundamental para a continuidade das relações entre Trump e Kim Jong-Un.

“Nós sentimos o jeito Trump de negociar. Ele bate forte no começo e depois vai cedendo. Agora, é ver se os dois lados vão conseguir atingir seus objetivos: enquanto os americanos querem a desnuclearização da Coreia, o objetivo dos norte-coreanos é a manutenção do atual regime. Da parte de Kim Jong, ele indica que vai parar com os testes nucleares. Vamos torcer para que isso realmente aconteça”, apontou Troyjo.

Por fim, o professor apontou que, mesmo com o bom momento, a relação entre as Coreias é complicada. Segundo ele, o diálogo é uma “caixinha de surpresa” principalmente pelo fato de que muitos países da região se sentem confortáveis no fato de que esta aproximação não tenha frutos, como o Japão e a China.

“Por outro lado, o caráter dos dois líderes pode ser positivo, causando uma força de atração entre eles. Estou otimista para a realização da cúpula. E se acontecer a desnuclearização, será uma reversão de expectativa que não vemos há muito tempo”, finalizou o professor.