Concessionária admite pagamento de propina e baixa preço de pedágio no PR após acordo de leniência

  • Por Jovem Pan
  • 07/03/2019 07h14
Divulgação A Rodonorte, empresa do grupo CCR, celebrou um acordo de leniência com o Ministério Público Federal do Paraná que reduzirá em 30% as suas tarifas aplicadas em rodovias do Estado

Concessionária admite pagamento de propina e baixa pedágio após acordo na Justiça de R$ 750 milhões. A Rodonorte, empresa do grupo CCR, celebrou um acordo de leniência com o Ministério Público Federal do Paraná que reduzirá em 30% as suas tarifas aplicadas em rodovias do Estado.

A colaboração ainda precisa ser homologada pela Justiça. Se o acordo for efetivado, a Rodonorte terá 30 dias para baixar os seus pedágios, por um ano, até chegar a R$ 350 milhões.

A concessionária admitiu o pagamento de propinas a integrantes do governo do Paraná, alvo da Operação Lava Jato. A Rodonorte também se comprometeu a realizar as obras previstas no contrato inicial, mas que não foram executadas após aditivos contratuais, no valor de R$ 365 milhões.

O ex-governador Beto Richa é alvo da investigação e chegou a ser preso preventivamente. O tucano descarta participação no esquema, mas é réu sob acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

As investigações apontam que há 20 anos empresas pagam propina em troca da não realização de obras previstas em contrato e obter benefícios em reajustes de tarifas.

Um ex-motorista da concessionária, da presidência da Rodonorte, afirmou aos procuradores que entregou malas de dinheiro na sede do governo, Palácio Iguaçu, no Tribunal de Contas do Estado e na associação das empresas concessionárias, usada para repassar dinheiro aos políticos.

O acordo celebrado prevê R$ 750 milhões em multas pela Rodonorte. Em nota, a empresa afirma que contribuirá com as autoridades e acordo está sob sigilo.

Em São Paulo, o grupo CCR reconheceu a destinação de R$ 25 milhões em caixa dois para políticos do PT e PSDB, mas descartou o pagamento de propina. A empresa pagou multa de R$ 81 milhões e o Ministério Público investiga a veracidade das informações prestadas.

*Informações do repórter Marcelo Mattos