Congelamento de salário de servidores provoca ‘conflito’ entre alas do governo, diz deputado

  • Por Jovem Pan
  • 13/05/2020 09h49 - Atualizado em 13/05/2020 10h15
Dida Sampaio/Estadão ConteúdoNa última sexta-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que orientou Bolsonaro a vetar o destaque

O deputado federal Pedro Paulo, que também foi relator do projeto de socorro aos estados e municípios na Câmara, chamou a atenção para um “conflito permanente” entre as alas política e econômica do governo nas discussões em torno do tema.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, ele avalia que Congresso Nacional deverá derrubar o veto do presidente Jair Bolsonaro ao artigo que livra categorias de servidores do congelamento de salários até o fim de 2021 caso ele realmente aconteça.

Na última sexta-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que orientou Bolsonaro a vetar o destaque. O presidente, por sua vez, sinalizou que deve acatar a indicação. Ele tem até o dia 27 de maio para sancionar ou vetar — completa ou parcialmente — o projeto.

Apesar disso, porém, para Pedro Paulo não está claro que o presidente vai vetar o destaque. “Ele deve estar sofrendo pressões grandes das Forças Armadas e da sua ala de articulação. Isso atrapalha muito as negociações dentro do Congresso.”

Ele acredita que, caso o veto por parte do presidente realmente aconteça e o Congresso tente barrar, dialogar com os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, seja um caminho para manter a situação. “O que não pode acontecer é simplesmente uma queixa sem fazer política”, avalia.

O deputado também concorda que o tema precisa ser tratado de forma especial, em um pacote mais amplo, por causa da sua complexidade, como na reforma administrativa.

“É importante ter contrapartida. Esse congelamento só evitar parte do problema, porque também tem a questão das progressões por tempo. Essas coisas são intensas nos estados e municípios”, finalizou o deputado Pedro Paulo.