Conselho Federal de Medicina lança cartilha para ajudar médicos e atletas a evitarem o doping

  • Por Jovem Pan
  • 11/05/2018 09h30 - Atualizado em 11/05/2018 09h39
Divulgação/FifaBrasil tem a 10ª menor média de resultados positivos para substâncias proibidas

Com o aumento da qualidade dos exames e da fiscalização, casos de doping passaram a ser flagrados com mais facilidade em diversos esportes, como futebol e atletismo. O que muita gente não sabe é que medicamentos de uso comum e até suplementos podem causar problemas.

No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) lança, nesta sexta-feira (11), um documento que deve ajudar a reduzir o número de atletas punidos pelo uso de substâncias ilegais para determinadas modalidades. Trata-se de um guia prático, que foi produzido com a ajuda de especialistas da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBEM), dos Comitês Olímpico e Paraolímpico do Brasil, da Confederação Brasileira de Futebol e da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem.

Terceiro vice-presidente do Conselho Federal de Medicina e coordenador da Câmara Técnica da Medicina de Esporte, Emannuel Fortes destaca a importância do controle de doping no esporte. “O doping diz respeito aos atletas de alto-desempenho. Eles têm duas vertentes a épica, que é competir de forma desonesta e da própria saúde porque as substâncias usadas vão trazer consequências no futuro”, disse.

Fortes ressalta que além das punições, o uso indevido de medicamentos e certos suplementos para melhorar a condição física pode gerar problemas no longo prazo.

Para Hésojy Gley Vital, médico coordenador do Comitê Paraolímpico Brasileiro, o principal problema é a contaminação dos produtos. “Quando se fala em contaminação, nos referimos as substâncias que podem levar ao doping em atletas. Como também incorrer em problemas graves de saúde, podendo levar ao óbito e intercorrências graves de saúde”, explicou.

A união dos profissionais da área tem como objetivo criar uma rede colaborativa de ética e boas práticas esportivas entre atletas e médicos. De acordo com dados de 2016 da Agência Mundial Antidoping, o Brasil tem a 10ª menor média de resultados positivos para substâncias proibidas, em uma lista com laboratórios de 29 países.

Naquele ano, o percentual de resultados positivos aumentou expressivamente em nível mundial, provavelmente pela inclusão do Meldonium entre as substâncias proibidas. O fármaco, usado para pacientes com problemas cardíacos, ficou famoso depois da denúncia de doping contra a tenista russa Maria Sharapova.

A cartilha será lançada nesta sexta-feira durante o Quarto Fórum de Medicina do Esporte, em Brasília, e entregue a médicos e atletas de todo o país.

*Com informações do repórter Matheus Meirelles